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Responsável por cerca de 70% das vendas e lançamentos de imóveis, o Minha Casa Minha Vida está perto de passar por uma reformulação. Diante desse cenário de incertezas, construtoras de todos os portes agem rápido para garantir que as mudanças no programa não comprometam os negócios nos próximos meses.

O programa habitacional, que completou 10 anos em 2019 reúne números grandiosos: foram mais de R$ 467 bilhões em investimentos e geração de mais de 3,5 milhões de empregos diretos. “O Minha Casa é o maior programa habitacional da história do Brasil. É também o mais democrático, já que o perfil de comprador não é apenas aquele mais vulnerável economicamente”, resume o professor de macroeconomia e doutor em relações de moradia, Érico Santana.

Apesar dos bons resultados e grande potencial no futuro – hoje o déficit habitacional gira em torno de 7,8 milhões de imóveis, segundo estimativa da FGV – a continuidade do programa foi colocada em dúvida, pelo menos nos parâmetros atuais.

Com incentivos públicos para o financiamento e subsídios para as construtoras, o programa tornou-se, na avaliação do próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, um peso maior que o necessário para as contas públicas.

Diante desta incerteza, as construtoras começaram a agir em duas frentes: fortalecer saldões para elevar a velocidade de vendas dos imóveis que se enquadram no programa, e começar a pensar em soluções para tornar a compra do imóvel atrativo, mesmo que o governo mude diretrizes.

Nesse sentido, por exemplo, a construtora Mbigucci aposta no fortalecimento da base de clientes, aliando a isso também uma negociação mais flexível. Exemplo disso é o Big Weekend, que aconteceu mês passado e faz parte do plano de ação da empresa. “Oferecemos plano direto com a construtora em até 120 meses. Também aceitamos carro como entrada, pelo preço da tabela Fipe”, disse o diretor de vendas, Robson Toneto, acrescentando que outras promoções, como descontos na escritura também são realizadas.

Na construtora Danpris a estratégia também é acelerar as vendas e ajudar a reaquecer o mercado. A empresa, que majoritariamente trabalha com produtos do Minha Casa, tem tentado também agregar valor ao imóvel para atrair outros perfis de público. O CEO da Danpris conta que ano passado houve três lançamentos, e para 2019, a despeito da morosidade econômica, o objetivo é acelerar. "A expectativa para 2019 é ainda maior. Sentimos que o momento para venda está cada dia mais favorável com a diminuição do número dos distratos e as condições de pagamento oferecidas, em que se pode usar recursos próprios como o FGTS e crédito e consórcio imobiliário as pessoas se sentem mais seguras para comprar um imóvel", disse.

Com evento marcado para este fim de semana na capital paulista, a Direcional Engenharia quer trazer alternativas para estimular o cliente. Segundo o superintendente da Direcional em São Paulo, Flávio Lotaif, o Evento Super Banco de Imóveis reunirá principais instituições financeiras para dar celeirdade à venda. “Trouxemos equipes do Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú, Santander e Banco Inter que analisarão o crédito, negociarão taxas e aprovarão recursos em tempo real”, disse ele. Além disso, a empresa parcela em até 48 vezes o sinal de entrada. “Dependendo do imóvel, o cliente pode dar o carro como entrada. Terão vouchers para aquisição de mobília e decoração e vales-compra para supermercado”, completa.

Projeções para o ano

Enquanto as construtoras correm para tentar reativar o mercado imobiliário – que ainda reflete a recessão econômica e está com preços inalterados há quase 18 meses – o governo tenta passar ao mercado uma sensação de normalidade.

Esta semana o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, falou que está mantida a estimativa de 400 mil unidades do Minha Casa este ano. Ele também afirmou que são aguardadas 500 mil imóveis para o ano que vem.

A discussão se deu no 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), e questionado sobre o futuro do programa por empresários, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Duarte Guimarães, afirmou que nenhuma decisão será tomada sem ouvir as demandas do setor.

Ele contou ainda que quer diminuir o cronograma de obras no programa. De acordo com ele, houve um atraso neste começo de ano, mas a Caixa estava em busca de soluções, já que algumas obras demoravam mais de seis anos para ser concluídas. “Hoje estou tranquilo porque conseguimos diferenciar o que funciona e o que não funciona.”