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Após uma queda acumulada de 30% no valor dos aluguéis nos últimos três anos, o segmento de coworking aposta em um novo ciclo de crescimento diante do otimismo com a economia e uma mudança na mentalidade das grandes empresas, que têm se mostrado mais flexíveis aos espaços compartilhados.

“Percebemos que desde 2014, tanto a demanda como a oferta dos espaços compartilhados têm aumentado bastante. No entanto, para este ano, a perspectiva de uma melhora no cenário econômico e uma procura maior de grandes empresas pelo coworking pode fazer com que o valor dos aluguéis se estabilize”, analisa o presidente da Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais (Ancev), Ernisio Martines Dias.

De acordo com o dirigente da entidade, mesmo com uma redução no valor do aluguel, o segmento desfrutou de expansão em termos de unidades, especialmente pela busca de redução de custos em companhias de grande porte. “Nos últimos anos, esse mercado vinha em um crescimento anual constante de 20%. Entre 2017 e 2018, houve alta de 30%, também com a procura de empresas de grande porte que antes não estavam muito presentes nesses espaços de trabalho”, complementou Dias.

Neste cenário, o presidente da rede de coworking Regus Brasil, Tiago Alves, aponta para uma maior participação das grandes corporações nesse tipo de estabelecimento. “Terminamos o ano de 2018 com cerca de 74 unidade. Isso se deu em grande parte por conta de uma demanda de empresas que nunca antes tinham considerado entrar nesse mercado, como por exemplo grandes bancos, players do setor de serviços e também a indústria”, comentou Alves.

Segundo o executivo, o movimento é resultado direto de uma mudança na mentalidade das grandes empresas, que “começaram a repensar a função e gastos de seus ativos, como por exemplo a Petrobras, com novas posições de trabalho em espaços de coworking”, destacou. “Atualmente, pelo menos 30% dos nossos clientes têm faturamento acima dos R$ 500 milhões anuais. Acredito que, no médio a longo prazo, esse percentual possa chegar a 60% entre médias e grandes companhias”, acrescenta Alves, mencionando a IBM como um dos clientes da Regus Brasil.

Ainda de acordo com ele, pelo fato do mercado de trabalho estar mais “flexibilizado”, existe a tendência para que o compartilhamento de espaços se torne cada vez mais comum no País. O executivo relata que, dependendo da localização do escritório de coworking da rede, o preço pode variar de R$ 299 até R$ 4 mil. Em relação aos repasses anuais, ele diz que manteve em linha com o índice de inflação.

Neste sentido, outro exemplo de rede de coworking que tem percebido a mudança no perfil dos inquilinos é a On Offices. “Observamos a presença de muitos arquitetos e também advogados em nossos escritórios. Atualmente, temos cerca de 100 clientes, dos quais 50 operam fisicamente em nossas estruturas”, afirmou a diretora de operações da On Offices, Paula Sarquis.

A executiva afirma que nos últimos anos houve um esforço para não repassar os preços com a finalidade de garantir os clientes dentro dos espaços. “Além disso, também para atrair novos clientes, usamos o aluguel como tática”, afirmou ela, lembrando que, conforme a região onde está localizada a unidade, o preço médio gira em torno de R$ 1 mil por posto de trabalho. Atualmente, a rede possui 5 unidades de negócios em São Paulo, em bairros como Vila Nova Conceição, Vila Olímpia, Paraiso e Jardins. A expectativa é iniciar uma nova fase de expansão com a abertura de uma nova sala a cada seis meses, com foco na Zona Oeste da cidade.