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Após resultados abaixo do esperado na atividade da indústria e do comércio em janeiro, a queda de 0,3% na prestação de serviços na mesma base fechou uma tríade preocupante: baixa demanda, pouca confiança e crédito caro.

Os indicadores, todos apresentados na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), acendem o sinal amarelo de analistas e consultores, que esperavam que o início de ano ao menos abrisse caminho para uma retomada. “Não haveria mais desculpas para baixa atividade. A eleição passou, a reforma da Previdência está encaminhada, o dólar caindo, a inflação sob controle. O problema é que atividade só volta se houver efetivamente confiança do consumidor, e o desemprego é um forte inibidor”, comentou o professor de matemática aplicada, ex-analista do IBGE e consultor corporativo, Carlos Maranhão.

Na visão do especialista, a queda de 0,8% na atividade industrial na passagem de dezembro para janeiro é a mais preocupante. “Era esperado um início de ano difícil para a indústria, mas menor que -0,5%”, disse ele, lembrando que a atividade industrial vai refletir baixa no comércio nos próximos meses. “Quando a industria não vende para o varejista, já esperamos que o comércio não terá uma atividade forte nos meses seguintes.”

Em janeiro, o comércio varejista avançou 0,4% na margem, o que parece bom, mas não é. “Em dezembro o varejo encolheu 2,1% e a alta de janeiro não recuperou nem parte da perda. A estimativa era uma alta de pelo menos 1,1% no primeiro mês de 2019”, esclarece.

Último setor a entrar na crise e possivelmente o último a sair, o ramo de serviços também preocupa, principalmente as atividades profissionais, administrativos e complementares. “Trata-se da ausência quase absoluta de recuperação dos serviços demandados pelas empresas”, reportaram os economistas do IEDI, apontando que tal resultado indica estagnação. “É um sintoma de que o quadro das empresas no País ainda é bastante adverso, trazendo perspectivas pouco favoráveis para o emprego de melhor qualidade.”

De acordo com os dados apresentados na última sexta-feira, a queda no setor de serviços também foi puxada pelo segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que apresentaram recuo de 0,6%, a segunda taxa negativa seguida, enquanto os serviços de informação e comunicação encolheram 0,2%, devolvendo parte do ganho de 2,9% acumulado entre setembro e dezembro de 2018. Juntos, os dois segmentos representam cerca de 63% do setor de serviços.