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A desaceleração da economia global e a redução na oferta de crédito para exportações devem impactar negativamente o desempenho da Embraer em 2019. Companhia registrou prejuízo no primeiro trimestre do ano.

“Não vejo possibilidade de um resultado melhor no curto prazo, tendo em vista a possibilidade de uma recessão econômica mundial e uma restrição maior ao crédito no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, avalia o coordenador do curso de economia da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP), Paulo Dutra.

Ele acredita que os investimentos em aeronaves devem ser reduzidos nesse cenário. “Além desse fator no mercado internacional, aqui no Brasil não há crédito para beneficiar exportações, o governo está cortando. Essa conjunção de fatores me faz esperar uma piora na situação financeira da Embraer.”

A companhia brasileira entregou 11 aeronaves comerciais nos primeiros três meses do ano, três a menos do que no mesmo período do ano passado. Durante teleconferência, o vice-presidente de finanças da Embraer, Nelson Salgado, minimizou a queda. “O começo de ano costuma ser mais fraco. Não impacta nossa estimativa de entregas no ano.”

A empresa prevê entregar de 85 a 95 aviões comerciais em 2019. “Não acredito que essa meta deve ser batida”, opina Dutra. O economista que a hipótese mais otimista, é de que a parceria com a Boeing possa abrir novos mercados para a Embraer. “Como a Boeing está enfrentando restrições em função da crise com o 737 Max, isso pode não se concretizar.”

Após dois desastres em apenas cinco meses, que causaram centenas de vítimas fatais, o modelo de aeronave da Boeing teve sua comercialização proibida. Salgado afirmou que os acidentes não vão causar nenhuma mudança na parceria entre as duas empresas, que deve ser concretizada até o final do ano.

Apesar deste cenário conturbado, Dutra acredita que a parceria não corre nenhum risco e será benéfica no médio e longo prazo. “Não vejo possibilidades de prejuízo nesse acordo. No curto prazo, há uma possibilidade de redução do valor da empresa, mas isso não dever durar muito tempo.”

A Embraer detalhou que a parceria estratégica com a Boeing, que prevê o estabelecimento de uma joint venture que passará a desenvolver os negócios e serviços de aviação comercial, está passando por processo de aprovação de autoridades antitruste. “As atividades de separação do negócio de aviação comercial já foram iniciadas”, disse Salgado.

Balanço

A Embraer divulgou nesta quarta-feira (15) um prejuízo líquido de R$ 229,9 milhões no primeiro trimestre. De acordo com a empresa, o resultado se deve ao menor número de entregas de aviões e aos custos com a preparação para concluir o acordo com a Boeing.

A companhia totalizou 22 aeronaves entregues no trimestre (11 comerciais e 11 executivas). A receita líquida permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre de 2018 e ficou em R$ 3,12 bilhões, com a queda no segmento de aviação comercial sendo compensada pelo aumento da receita nos demais segmentos de negócio.

O segmento de aviação comercial representou 34,2% da receita consolidada no período, contra 39,7% no ano anterior. A parcela da receita de aviação executiva subiu de 13,4% para 14,4%, com um aumento de 8% na comparação anual, devido à variação cambial. O segmento de defesa e segurança ficou praticamente estável e sua participação na receita total da companhia foi de 21,8% no trimestre.

Durante a teleconferência, Salgado declarou que o primeiro jato militar KC-390 será entregue para a Força Aérea Brasileira (FAB) após sua apresentação no salão internacional de Paris, e, junho. Também estão previstas a entrega de cinco unidades para a Força Aérea de Portugal.