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Após retração das vendas nos anos de crise, o setor de óticas prevê a retomada do consumo de óculos de sol para o verão de 2019. Custos menores, maior foco no público jovem e ações promocionais podem levar a um crescimento médio de 15% do faturamento dos lojistas.

“No geral, a participação dos óculos de sol em nossas vendas totais gira em torno de 25%, enquanto que o resto é representado pelos produtos da categoria de grau. Porém, no verão, o consumidor está mais propício a gastar com óculos de sol. Com isso, cada uma das categorias fica com 50% do nosso faturamento”, afirma o diretor da rede Mercadão dos Óculos, Gustavo Freitas.

De acordo com o executivo, a expectativa para as vendas em janeiro é de um avanço de 15% sobre o resultado obtido no mesmo mês do ano anterior.

“Lançamos 100 novos modelos de óculos de sol para o verão, apostando em lentes coloridas, espelhadas e utilizando mais metais na armação”, relata Freitas, ressaltando o fato de que, mesmo com um valor agregado superior ao resto do portfólio da marca, os itens ainda são acessíveis ao consumidor.

Atualmente, o tíquete médio da rede está em R$ 159. Ainda segundo ele, um dos sinais de retomada no consumo de óculos foi o nível de expansão das unidades do negócio, que atingiu 173 lojas por meio de 60 inaugurações em 2018.

O professor de varejo da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV/RJ), Marco Quintarelli, lembra que as óticas perderam espaço no período da crise econômica no Brasil e, a partir de agora, devem focar em estratégias para reconquistar o cliente.

“Vemos o surgimento de muitos players nacionais desse setor que começaram a trabalhar com preços mais acessíveis e design mais jovial de produtos para o verão”, explica o docente, lembrando o fato de que o câmbio em queda pode reduzir os custos de importação das redes nacionais. Segundo Quintarelli, “uma parcela crescente dos brasileiros está criando o hábito de colecionar óculos de sol.”

Outro exemplo de rede de óticas que se beneficia da estação mais quente do ano é a Atitude Point. “Esse segmento de produto [óculos de sol] representa 85% das nossas vendas totais. Começamos nosso planejamento a partir de setembro, com foco em temas relacionados à praia e viagens”, explica o gerente da marca, Marcelo Teixeira.

Segundo ele, uma das estratégias utilizadas para alavancar as vendas é a oferta de brindes que acompanham cada compra do cliente. No caso deste ano, o item é um fone de ouvido. “Trabalhamos muito com o público jovem, que tem uma frequência maior de troca de óculos de sol. Por isso, lançamos linhas de produtos voltados para atividades ao ar livre e esportes. Além disso, o longo período de verão no Brasil ajuda nosso negócio”, relata o executivo da Atitude.

Teixeira explica que aproximadamente 82% dos consumidores da marca estão na faixa abaixo dos 32 anos. Neste sentido, ele conta que a empresa desenvolveu uma categoria de produtos específica para o público infantil, a qual é mais resistente a quedas e visa maior proteção dos raios rolares.

O CEO da divisão de varejo da Luxottica no Brasil – que engloba marcas como Óticas Carol –, Ronaldo Pereira Júnior, declara que “a categoria de óculos de sol não tem apresentado crescimento apenas como um item relacionado à moda, mas também quando o assunto é saúde”.

De acordo com o executivo, há uma expectativa de aumento no volume de vendas da ordem de 15% no intervalo entre dezembro de 2018 até março deste ano.

Pereira diz que, pelo fato de parte dessa demanda ser puxada por faixas etárias mais baixas, houve a necessidade de reposicionamento da marca. “Esse público é o principal consumidor na categoria de óculos solares. Por isso, remodelamos a estrutura de algumas lojas e começamos a trabalhar com um mix de produtos mais ‘antenado’, com campanhas de influenciadores digitais”, disse Pereira.

Ainda de acordo com o executivo, os negócios da empresa estão passando por um processo de transição de imagem. “Além de uma ótica voltada para o grau, queremos ser considerados também como uma rede de óculos de sol”, disse.