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Com a recuperação da rentabilidade, a Eletrobras vem se tornando cada vez mais atraente aos investidores antes do processo de privatização. Ainda com o modelo de desestatização indefinido, a companhia apresentou ontem (14) resultado positivo no primeiro trimestre.

“É um fator que muda a empresa de patamar. Os acionistas passam a ter a convicção que a Eletrobras tem capacidade de gerar resultado. Mesmo não privatizada, ela já se mostra rentável”, avalia o diretor Executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Júnior.

Nesta terça-feira (14), a companhia divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2019, registrando lucro líquido de R$ 1,347 bilhão, crescimento de 178% sobre igual período do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 2,9 bilhões, 15% superior na comparação anual.

A diretora da Thymos Energia, Thais Prandini, atribui o desempenho à gestão focada no aumento de receita e redução de custos. “Os resultados vêm melhorando frequentemente. Foram fundamentais as vendas das distribuidoras, que ainda deixaram um pequeno prejuízo, mas nada comparado ao nível do ano passado.”

Em 2018, a companhia concluiu a privatização de seis empresas de distribuição deficitárias. “Esses resultados começam a deixar claro como será a Eletrobras focada na geração e transmissão. Esperamos resultados mais estáveis daqui para frente”, declarou o presidente da estatal, Wilson Ferreira Junior, em teleconferência para investidores.

Modelo

O executivo não informou nenhuma novidade em relação ao modelo escolhido para a privatização da Eletrobras. Na semana passada, o secretário especial de fazenda do ministério da Economia, Waldery Rodrigues, declarou que o formato de capitalização, proposto pela gestão Michel Temer, não deverá ser utilizado.

Para Kawai, o melhor modelo seria por meio do desmembramento dos ativos. “Isso permitiria que diferentes grupos interessados em entrar no Brasil ou aumentar sua participação no setor, não tenham que comprar o lote inteiro e possam selecionar os ativos conforme sua estratégia.”

Ele acredita que esse formato poderia reduzir o valor do investimento necessário, aumentando o número de potenciais interessados. “Seria parecido com o que ocorreu no leilão de hidroelétricas da Cemig, com quatro compradores diferentes. Se fossem vendidas em um único lote, possivelmente a atratividade não teria sido a mesma.”

Já Thais acredita que o modelo adotado será mesmo a capitalização. “Por meio da venda de ações e aumento de capital privado, a empresa voltaria a ter condições de fazer novos investimentos.”

Durante a teleconferência, Ferreira anunciou que a Eletrobras pretende vender sua participação em 45 Sociedades de Propósito Específico (SPEs) no segundo semestre. “Entendemos que esses ativos podem ser importantes para o funcionamento financeiro da empresa, complementando as vendas do ano passado.” Os ativos ofertados são aqueles que encontraram compradores em um leilão realizado em setembro de 2018, no qual a estatal vendeu 11 lotes de ativos por R$ 1,29 bilhão. O plano da estatal é vender as SPEs com base no Decreto 9.188 de 2017, já utilizado pela Petrobras para a mesma finalidade. Aplicável a estatais de economia mista, a medida permite regime especial de desinvestimento para as empresas, desde que os processos sigam certas regras.