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O mercado vê com pessimismo a queda das exportações das montadoras e avalia que metas de produção podem ser prejudicadas neste ano, uma vez que as vendas internas crescem de forma lenta.

“A indústria automobilística já está se ajustando para o enfraquecimento das exportações, muito prejudicadas pela recessão da Argentina. É um quadro que tende a permanecer, até pela evolução não muito firme do mercado local”, avalia o sócio-diretor da Macrosector Consultores, Fabio Silveira.

Nesta terça-feira (07), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que os embarques tiverem queda de 45% no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, enquanto as vendas internas cresceram 10,1% no mesmo período. Já a produção apresentou declínio de 0,1% no quadrimestre.

Silveira destaca que, embora os números do mercado doméstico sejam positivos, o ritmo é insuficiente para compensar as perdas com o país vizinho, principal comprador de veículos do Brasil. “As vendas internas crescem lentamente, devido à falta de dinamismo da economia como um todo.”

A Macrosector prevê aumento de 3% da produção e 8% das vendas no mercado interno em 2019, abaixo das estimativas de avanço da Anfavea (de 9% e 11,4%, respectivamente). “Há uma série de fatores que pesam negativamente, como alta da inflação, taxa de câmbio e incerteza quanto à reforma da Previdência, que não tornam o momento propício para tomar crédito para compra de veículos”, aponta Silveira. O analista acredita que o ano será fraco para o setor e decepcionante para a economia do País.

“Não vou dizer que 2019 está perdido, mas não há condições do PIB crescer além de 1,5%. Não há fatores à vista para alterar isso. Temos que esperar fatores externos que ajudem a economia a ter melhor evolução no próximo ano.”

Apesar dessa perspectiva, Silveira ressalta que a indústria automotiva está em um patamar melhor que a maioria dos segmentos. “Muitos outros setores estão em processo de contração. Mas o crescimento das montadoras deve ser modesto. Emprego e crédito até melhoraram, mas de forma insuficiente para estimular o consumo de forma relevante.”

Competitividade

A Anfavea divulgou estudo comparativo da competitividade dos mercados automotivos do Brasil e do México produzido pela consultoria PwC Brasil. A pesquisa concluiu que produzir um carro naquela país custa 18 pontos porcentuais a menos do que aqui, sendo as principais diferenças em materiais e logística. Desde março, está em vigor um acordo de livre comércio de veículos e autopeças entre os dois países.

“Os resultados apresentados neste levantamento nos indicam a necessidade extrema de atacarmos pontos que reduzam o custo e melhorem a nossa competitividade. Medidas que estimulem o comércio exterior, melhorem a logística de distribuição e reduzam a carga tributária são urgentes para conferir uma nova dinâmica para os negócios em diversos segmentos da economia”, disse a jornalistas o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.