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Com o objetivo de elevar a rentabilidade e o volume de vendas dentro do açougue, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) investirá mais nos próximos anos em carne suína. Até 2021, rede varejista quer dobrar a participação percentual de vendas dessa proteína dentro da categoria.

“Em setembro de 2018 começamos a desenhar esse plano de expansão da proteína suína dentro do nosso açougue. Atualmente, a participação da carne suína gira em torno de 10% dentro do açougue, mas vemos muito potencial para que esse percentual vá a 20%, uma vez que o consumo per capta desse produto vem aumentando no Brasil nos últimos anos”, diz o gerente comercial do GPA, Rafael Monezi.

De acordo com ele, o objetivo da rede varejista a partir de agora é “permear toda a cadeia”, desde o estabelecimento de parcerias com pequenos e médios produtores locais até mesmo o melhor aproveitamento dos cortes do animal dentro dos frigoríficos. “Entendemos que existe um trabalho grande a ser feito no sentido de democratizar esse tipo de proteína e, consequentemente, reduzir os custos dentro da cadeia. Percebemos que há espaço para outros tipos de corte, para além da tradicional costela de porco”, argumentou ele.

Segundo o executivo, o treinamento dos funcionários nas unidades do GPA, tanto nas bandeiras Pão de Açúcar como Extra, é fundamental para a viabilidade da iniciativa. “A ideia é preparar o time de loja para oferecer uma diferenciação no ponto de venda e no atendimento aos clientes e esclarecimentos sobre os processos produtivos e benefícios da carne suína para a saúde”, complementou ele, lembrando que o plano de expansão é um trabalho que vem sendo realizado em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

“A ABCS foi convidada para fazer parte desta iniciativa inovadora que também tem muito que colaborar com nossa produção e frigoríficos. Temos certeza que as ações e mudanças a serem propostas nos próximos anos pelo GPA serão provocadoras e importantes para a nossa evolução como cadeia”, explica o presidente da entidade, Marcelo Lopes.

De acordo com o último balanço realizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de carne suína vem crescendo gradualmente desde 2006: passando de 2,94 milhões de toneladas para 3,75 milhões de toneladas em 2017. Deste montante, cerca de 81% é destinado para consumo interno.

Segundo o balanço, o consumo per capta passou de 13 quilos (kg) por habitante, em 2007, para 14,7 quilos por habitante em 2017. Nesse sentido, o executivo do GPA também argumenta que o fomento à ampliação do comércio desse tipo de proteína tem potencial para acontecer em virtude da “estrutura da companhia”. “Em vez que realizarmos campanhas pontuais, nosso trabalho vai se estender por todo o ano. Esse plano de desenvolvimento contempla, também, a criação do cargo de especialista em suínos em loja que tem como objetivo principal oferecer um atendimento totalmente exclusivo e especializado para os clientes”, diz.

Questionado sobre a aderência desse plano aos diversos formatos que atualmente a rede varejista tem, o executivo ressaltou o bom resultado na bandeira Extra, tanto nos hipermercados como também nas unidades menores voltadas para o varejo de vizinhança. “Percebemos que a realização de descontos aos sábados tem gerado bom resultado nos formatos de vizinhança na bandeira Extra. Devemos implementar isso também no domingo e depois com ofertas mais regulares”, disse ele.

Por fim, o executivo explica que vê alguns desafios a serem enfrentados no que diz respeito à logística de entrega em regiões como o Nordeste, uma vez que o tempo de vida desse produto nas prateleiras – dependendo da localização do fornecedor e da eficácia no momento da distribuição – pode ser comprometido.