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O aumento da demanda interna por soja não irá compensar a perda do volume de exportações na safra 2018/19. As compras da China serão reduzidas em consequência dos efeitos da peste suína.

“O consumo interno está aumentando, mas não compensa totalmente o que se perderia nas exportações. O impacto é muito grande, a China consome muito”, apontou o diretor de commodities da INTL FCStone do Brasil, Glauco Monte.

De acordo com as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a exportação de soja irá totalizar 70 milhões de toneladas, valor inferior ao recorde de 83,3 milhões de toneladas da safra 2017/18.

Os chineses vêm diminuindo as compras do grão em razão do surto de peste africana que reduziu o tamanho do rebanho de suínos do país. A soja é um dos principais componentes da alimentação dos animais. Pelo mesmo motivo, as exportações de carne do Brasil devem ser impulsionadas, o que acaba ocasionando um aquecimento do consumo interno da soja.

De acordo com a Conab, o consumo do País vai passar de 42,6 milhões para 45,2 milhões de toneladas. “Aumenta o consumo interno, mas há preocupação por essa quebra de demanda da China. Também há concorrência de outros mercados que colabora com a tendência de queda das exportações”, destaca Monte.

Uma matéria da agência de notícias Reuters desta quinta-feira (8) relatou que uma alta nos preços da soja brasileira está afastando compradores chineses. A valorização seria causada pela expectativa de maior procura do país asiático em consequência da guerra comercial com os EUA. Com a escalada da tensão nas últimas semanas, os valores teriam subido de US$ 380 para US$ 400 por tonelada, incluindo custo e frete para China.

Safra de grãos

Apesar da redução da produção de soja, que totalizará 115,1 milhões, queda em relação a marca histórica de 119,3 do ano passado, a safra de grãos 2018/19 será recorde, atingindo 241,3 milhões de toneladas, segundo informou a Conab nesta quinta-feira (8).

O crescimento da produção de grãos deverá ser de 6% ou 13,7 milhões de toneladas acima da safra anterior. O número é explicado pelo desempenho do milho. “A produção do milho chama atenção, ano após ano cresce, principalmente na segunda safra. As inovações e tecnologias implementadas estão gerando resultado e, possivelmente, a safra vai atingir 100 milhões de toneladas”, destaca Monte.

A Conab reportou que a produção do milho primeira safra deve ficar em 26,2 milhões de toneladas, uma redução de 2,1% sobre a safra passada. A colheita encerrou-se na região Centro-Sul e segue ocorrendo nas regiões Norte e Nordeste.

Quanto ao milho segunda safra, terá uma produção recorde de 73,1 milhões de toneladas, 35,6% a mais em relação à safra de 2017/18. A colheita foi intensificada e agora estende-se a 84% da área plantada.

O gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, explica que a segunda safra do milho foi plantada mais cedo e sofreu influências positivas do período de chuvas. “Graças às boas condições climáticas, a produção será recorde.”

Apesar do volume histórico, os preços internacionais da saca de milho se mantêm em patamares atrativos, respondendo a quebra de safra que ocorre nos EUA. “Os preços da bolsa de Chicago não refletem um cenário de safra recorde. Temos notícias de lavouras bem ruins nos Estados Unidos”, conta Monte.

Ainda de acordo com a Conab, o feijão primeira safra, cuja colheita já foi encerrada, teve uma redução de 22,5% na produção e deve chegar a 996,4 mil toneladas. O de segunda safra, onde a colheita está em fase final, teve um clima favorável que contribuiu para uma produção de 1,3 milhão de toneladas, 7,2% acima da obtida no período anterior. O feijão terceira safra também teve aumento de 20,5% e deve ter uma produção de 739,6 mil toneladas. O plantio foi finalizado em julho.

Já a produção de algodão terá crescimento 34,2%, equivalente ao volume de 6,7 milhões de toneladas de algodão em caroço ou 2,7 milhões de toneladas de algodão em pluma. A área plantada apresentou aumento de 37,1%.