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Apesar da queda de 8,1% na receita líquida no segundo trimestre de 2019 sobre um ano – chegando a 5,04 bilhões –, a operadora Oi prevê concluir aportes de R$ 7,5 bilhões até dezembro. O plano visa maior atuação no segmento de fibra ótica e aumento na capacidade instalada da rede.

“Nosso plano é terminar o ano de 2019 com cerca de 4,6 milhões de residências utilizando fibra. Além disso, um dos principais drivers de nosso crescimento até o final do ano deve ser a receita proveniente do segmento de serviços de TI [Tecnologia da Informação] para outras empresas”, argumentou o diretor financeiro da operadora, Carlos Brandão.

De acordo com o executivo, o montante previsto como investimento até o final de 2019 sustentará um crescimento na geração de valor sobre os produtos e serviços da companhia e reduzirá os custos estruturais do negócio nos próximos anos. “A conversão de cobre para a fibra reverterá os custos atuais da companhia, uma vez que é mais barata. Esse movimento vai acompanhar também a expansão de nossa cobertura móvel em áreas onde já temos forte atuação”, declarou o executivo, lembrando que a “simplificação de processos” também diminuirá custos.

Segundo ele, esse processo de investimento na capacidade de transmissão e cobertura de dados da companhia – tanto para clientes corporativos como também para planos de telefonia pós-pago – ocorrerá por meio de um movimento de desinvestimentos de ativos considerados como “não essenciais”. “Estamos trabalhando com um portfólio de ativos que contempla torres de controle, data centers, e a Unitel [empresa de telecomunicações angolana]”. Isso será combinado por meio de iniciativas juntamente com fundos de investimento, que devem arrecadar R$ 14,5 bilhões”, diz ele.

Para o diretor financeiro da operadora, iniciativas como a intensificação da atividade comercial, aliada a novas ofertas e incentivo à migração contribuíram para o forte desempenho da base de pós-pago nos últimos trimestres.

Conforme o balanço divulgado pela empresa, no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado, houve crescimento de 33% em marketshare no segmento de linhas de pós-pago. Ainda nessa mesma área, a operadora apresentou incremento de 11,5% na receita anual de clientes.

Já a receita de clientes corporativos, na mesma base de comparação, teve avanço de 27%, em virtude do alto valor agregado do serviço. Ao final de junho de 2019, a dívida líquida da empresa somava cifras da ordem de R$ 12,5 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia caiu 1,3 ponto percentual na comparação anual – chegando ao montante de R$ 1,2 bilhões.

Na avaliação do analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, o grande desafio da operadora é mostrar aos credores realmente a capacidade de reduzir gastos e aumentar a rentabilidade do negócio. “É preciso dar uma resposta rápida ao mercado nesse sentido. O fato da fibra ser 30% mais barata do que o cobre já foi um bom indicativo do comprometimento da empresa com o controle de gastos e aumento da eficiência”, disse ele.

No entanto, o analista lembra que em alguns aspectos divulgados no balanço, a operadora “não fez o dever de casa”. Arbetman menciona a tímida redução nas despesas. “A variação nos gastos operacionais foi de apenas -2,7% na comparação entre os trimestres. Existe a necessidade de mostrar a capacidade de reduzir isso nos próximos anos”, complementou o analista. No ano passado, a Justiça do Rio de Janeiro aprovou o plano de recuperação judicial da empresa, estimado em R$ 65 bilhões.