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Em busca de consolidação de negócios para além do território nacional, redes de franquias de diferentes segmentos estão iniciando operações em países da América do Sul. Entre os atrativos da empreitada estão nichos de mercado ainda pouco explorados, a credibilidade de marcas brasileiras e maior know-how com a atuação internacional.

“Tenho visto um movimento muito grande de redes de franquias brasileiras indo para a América do Sul. Essas marcas têm performado muito bem, especificamente em mercados de países como Paraguai e Colômbia”, argumentou o vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Freidheim.

De acordo ele, o território paraguaio tem representado uma espécie de “quartel general” de experimentação das franquias brasileiras que estão iniciando os movimentos de internacionalização. Em relação à Colômbia, Freidheim aponta “o amadurecimento e as taxas de crescimento do país nos últimos anos, o que possibilita a segurança para abrir um maior número de unidades.”

Para ele, outra possível opção para os empresários brasileiros é o mercado argentino, tendo em vista que “a Argentina representa uma parceira de longa data do Brasil, com hábitos de consumo similares.”

Mesmo com a proximidade geográfica e um desenvolvimento econômico semelhante, Freidheim alerta sobre os cuidados para iniciativas feitas às pressas. “O movimento deve ser feito com investimento em marketing e com disponibilidade de capital de giro para ser bem estruturado”, diz.

Franquias no exterior

Um dos exemplos de franquias brasileiras que embarcaram em águas estrangeiras foi a Cleannew – especializada em processos de hipermeabilização e revitalização de estofados. “Vamos começar a operar na Colômbia e na Argentina no segundo semestre. Vimos que o hábito de hipermeabilizar é algo muito brasileiro”, diz o CEO da empresa, Fritz Paixão.

Segundo o executivo, embora o empresário tenha percebido uma confiança muito grande da parte do mercado estrangeiro, “as temperaturas baixas em determinados períodos do ano impactam no processo de secagem do produto do estofado”. Por isso, ele conta que decidiu usar vapor em vez de água nos serviços prestados.

Em 2017, o faturamento da empresa foi de R$ 6 milhões. Para este ano a expectativa é de R$ 8 milhões – já contando a iniciativa internacional.

Quem segue caminho similar é a Calçados Bibi, que iniciou operações no Peru e na Bolívia em setembro de 2017. “Já tínhamos expertise de exportação para esses países, que também já tinham familiaridade com o mix de produtos brasileiros”, afirmou a diretora da Calçados Bibi, Andrea Kohlrausch. Segundo a executiva, mesmo com essa aproximação comercial com tais nações, houve um movimento de negociação com fornecedores locais, “pois importar tudo ficaria muito caro”.

A empresária afirma que, ante 2017, as operações estrangeiras resultarão num incremento na casa dos 20% na receita do negócio, chegando em torno de R$ 137 milhões.

Também servindo-se da rede de negócios construída com o tempo, a rede de franquias iGUi – que comercializa piscinas – tem forte atuação na Argentina e no Paraguai. De acordo com o diretor internacional da empresa, Marcelo Pazos, no território argentino, já são 60 unidades do negócio; e, no Paraguai, cerca de 15 lojas. “Pretendemos abrir uma distribuidora e fábrica nas regiões em que atuamos, para facilitar os processos logísticos entre as regiões”, afirmou.

Com a mesma visão positiva sobre o mercado paraguaio, o diretor da franquia Anjos Colchões, Leonardo dos Anjos, explica que “o movimento de interiorização do país vizinho veio para abraçar os consumidores regionais, que iam até a cidade fronteira com o Brasil para adquirir” os produtos.

Em relação ao custo, o executivo afirma que não há diferença, mesmo com a moeda paraguaia mais desvalorizada.“Todos os nossos produtos são desenvolvidos e fabricados aqui no Brasil. E, vale frisar, o Paraguai é muito próximo da localização da nossa fábrica, em Cascavel, interior do Paraná. Ainda de acordo com ele, as ações de marketing são desenvolvidas visando a dinâmica comercial do país, visto que a língua e o calendário promocional e as datas comemorativas são diferentes.

Os franqueados têm faturamento médio anual de R$ 1 milhão. Atualmente, a rede tem duas unidades no Paraguai. No segundo semestre, está prevista outra inauguração. “Nosso objetivo é estar próximo deles [consumidores paraguaios] e oferecer uma experiência de compra mais ampla” conclui.