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A Petrobras quer reduzir ainda mais a dívida por meio da intensificação do seu programa de desinvestimentos para depender menos das oscilações de câmbio e preços do barril. Para o mercado, contudo, a venda de ativos na área de refino não deve ser concretizada em 2019.

“Conseguimos uma redução significativa da dívida em um período relativamente curto, mas ainda estamos com uma relação dívida líquida e Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] próxima de três vezes”, disse o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em teleconferência nesta quinta-feira (28).

A atual alavancagem da estatal é de 2,34 vezes. Embora seja inferior à meta de 2,5 vezes estabelecida em 2018, o dirigente considera o índice ainda muito alto para uma petroleira. “Uma empresa desse setor, que é muito exposto à volatilidade da commodity, tem de estar mais próximo a uma e meia vez”.

O endividamento da Petrobras totalizou US$ 84,4 bilhões em 2018, após chegar a US$ 126,3 bilhões em 2015. “É um recuo expressivo e, para acentuar ainda mais a velocidade da desalavancagem, a empresa pretende vender ativos que não fazem parte de seu principal negócio, que é a exploração e produção”, avalia o economista-chefe da DMI Group, Daniel Xavier.

Castello Branco apontou que a redução da dívida virá de várias iniciativas, incluindo corte de custos. “Mas o principal é um programa mais ativo de desinvestimentos, retirando recursos de áreas onde outros podem fazer melhor e realocar a segmentos em que somos os líderes.”

Xavier acredita que, até por estar alinhado com a pauta econômica do governo Jair Bolsonaro, a Petrobras não deve demorar para detalhar ao mercado como será seu plano de desinvestimentos. “Essa nova diretoria tem um planejamento de vendas de ativos e redução da dívida mais acelerado que a gestão anterior.”

Porém, ele entende que a efetivação dessas vendas, por exemplo, na área de refino, não devem ser concretizadas em 2019. “É um processo que envolve a participação de membros do governo. Mas o sinal já está dado e grandes players estão de olho nesse mercado que deve ser aberto.”

Castello Branco declarou que a Petrobras poderá apresentar ao mercado em cerca de três meses um novo modelo para venda de uma parcela do seu parque no downstream, incluindo refinarias inteiras. “Nós vamos desenhar um pacote que atenda aos nossos interesses de gerar recursos para reduzir o endividamento e financiar investimentos em óleo e gás. Ao mesmo tempo, devemos ter cuidado para não permitir monopólios regionais controlados por grupos privados”, assinalou.

Para o CEO da Mesa Corporate Governance, Luiz Marcatti, os desinvestimentos são importantes, mas a melhora do desempenho operacional e da gestão financeira são fundamentais. “Caso contrário, a empresa vende os ativos e logo estará endividada novamente.”

Ele destaca o resultado positivo apresentado pela Petrobras em 2018, registrando lucro de R$ 25,77 bilhões após quatro anos consecutivos de prejuízos. “A empresa está caminhando em linha com o plano de reduzir a dívida e recuperar o resultado operacional. Agora precisa voltar a ter capacidade de investir”, assinala. “Se continuar nesse cenário, a Petrobras irá melhorar seu grau de investimento e sua condição de capitalização.”

Leilão

O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta quinta-feira (28) que o megaleilão de óleo excedente da cessão onerosa está marcado para 28 de outubro. O governo tomou a decisão após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O leilão será feito pelo regime de partilha de produção e as áreas leiloadas serão Atapu, Búzios, Itapu e Sépia, na Bacia de Santos.