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As empresas da área de biotecnologia em Minas Gerais estão crescendo 9,7% ao ano. Em 2003, as 75 empresas localizadas no estado faturaram R$ 550 milhões, 32% a mais que em 2001. Esses dados constam do Diagnóstico do Setor de Biotecnologia, realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MG) e pela Fundação Biominas .A pesquisa aponta Belo Horizonte como o maior pólo de biotecnologia da América Latina, com 52 empresas. Porém, a falta de uma legislação própria está inibindo o crescimento do setor no estado e no País.Com a finalidade de discutir propostas para o segmento e estreitar os laços comerciais com os países da Europa, da Ásia e integrantes do Mercosul, a capital mineira será sede do II Congresso Internacional de Biotecnologia, nos dias 27 e 28. Durante os dois dias do Congresso, que começa hoje, pesquisadores de diversos países vão falar dos avanços da biotecnologia no mundo.Serão discutidos temas como agronegócios, saúde humana e animal, meio ambiente, capital de risco e investimentos, contemplando áreas como o uso de células-tronco, de vacinas de DNA e de transgênicos.Paralelamente ao evento, 32 empresas européias estarão reunidas com empresários mineiros para rodadas de negociações, no Encontro de Negócios Al-Invest. A expectativa é de que as negociações de médio e longo prazos, nas áreas de agronegócios, químicos, produtos farmacêuticos, aparato laboratorial, instrumentos analíticos, serviços sanitários, de saúde, engenharia, pesquisa e gestão institucional, movimentem cerca de cinco milhões de euros.Os representantes do setor concordam que o maior desafio que se coloca no País hoje é o de identificar políticas eficazes que propiciem o aumento da capacidade empresarial da biotecnologia, levando-se em conta as preocupações com a saúde, segurança e ambiente."O maior empecilho para o crescimento do segmento em Minas e no País, é a questão da falta de uma legislação própria para o setor. As leis existentes desfavorecem as pesquisas em determinadas áreas. Sem contar, por exemplo, com a lentidão para se obter o registro de um produto. Empresas que estão iniciando a atividade não agüentam esperar tanto tempo apenas pesquisando, sem poder comercializar o produto", explica o presidente da Fundação Biominas , Eduardo Soares Emrich.Além da capital mineira, as cidades de Viçosa (Zona da Mata), Uberlândia e Uberaba (no Triângulo Mineiro) concentram o restante das empresas de biotecnologia existentes em Minas. No segmento, que emprega 3.300 pessoas, destacam-se as empresas ligadas às pesquisas referentes à saúde humana, com um total de 42 empresas atuando nesta área. "Do total de empresas existentes no Estado, 40% já exportam para o Mercosul, Europa e Ásia. Algumas estão entrando nos Estados Unidos. Outras 40% já manifestaram interesse em iniciar o processo de exportação. A tendência é de que as relações comerciais com o exterior se intensifiquem, pois as empresas estão atingindo um nível de maturação mais elevado", afirma Eduardo Emrich.Conforme o Diagnóstico do Setor de Biotecnologia, das empresas entrevistadas, 24% investiram, cada uma, a média de R$ 943 mil. Esse resultado contrasta com o obtido em 2001, data da última pesquisa, quando apenas 7,5% das empresas estudadas foram capitalizadas por investidores de risco, nenhuma delas em Minas Gerais. "A própria Biominas criou um fundo de investimento de risco. Cada empresa recebeu cerca de R$ 1 milhão desse fundo. Com os recursos, ampliaram suas instalações e iniciaram novas pesquisas. Porém, notamos que, apesar do aumento no faturamento, o número de empresas não cresceu", diz o presidente da Fundação Biominas.A explicação para essa estagnação, está também na excessiva carga tributária. Para 80% das empresas pesquisadas este é o principal obstáculo, seguido das práticas de regulamentação. "Com base nesses dados, vamos elaborar um plano de ação, com planejamentos estratégicos, para solidificar o arranjo produtivo de biotecnologia em Belo Horizonte. A biotecnologia é um setor fundamental da nova economia baseada no conhecimento. Temos de criar condições favoráveis ao seu desenvolvimento", completa Eduardo Emrich.Em 2003, as 75 empresas no estado faturaram R$ 550 milhões, 32% a mais que em 2001