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Considerada a primeira “cidade inteligente social” do mundo – devido ao seu baixo custo –, a Smart City Laguna começa a receber os primeiros moradores na próxima semana. O projeto está localizado na região de Fortaleza (CE) e foi financiado de forma privada, com investimento estimado em US$ 50 milhões.

Hoje, há várias definições para o conceito de cidade inteligente, ou smart city. Em geral, o termo designa locais com boa infraestrutura de tecnologia e mobilidade para uma vida comunitária sustentável. E essa é a proposta do empreendimento que está sendo construído na cidade de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. O projeto foi desenvolvido sem auxílio governamental, por meio da empresa ítalo-britânica Planet.

Questionada sobre a escolha do local, a CEO da empresa no País, Susanna Marchionni, disse que a decisão foi inusitada. “Eu estava lendo a revista britânica The Economist e vi em uma matéria que essa região do Porto do Pecém era uma das melhores do mundo para investir”, lembra. Embora nunca tivesse visitado o Brasil, Susanna e seu marido saíram da Itália para o Ceará.

Além dos imóveis com preços mais acessíveis, que podem ser adquiridos por meio do programa Minha Casa Minha Vida, ela explica que o projeto é considerado social por ter uma “infraestrutura de alto padrão, além de serviços e tecnologia ao alcance de todos”. O empreendimento tem 330 hectares, para cerca de 25 mil moradores. A obra foi dividida em duas etapas e seus habitantes vão ocupando o local de acordo com o avanço da segunda etapa, que deve durar dois anos.

O diferencial da cidade inteligente é ter tudo próximo: hospital, escola e empresas. Assim, o morador não perde tempo no deslocamento para suas atividades cotidianas.

Além disso, todo o complexo estará equipado com iluminação em led, wi-fi e câmeras de segurança, a que os moradores terão acesso ao vivo por meio de um aplicativo. A ferramenta também serve para que a vizinhança possa se conectar por meio de mensagens.

O aplicativo será apresentado como plataforma para companhias oferecerem promoções. Como exemplo, todos os moradores que comprarem móveis de uma determinada marca terão 30% de desconto. O interesse dos empresários vem das compras em massa, já que a Smart City Laguna terá milhares de novos moradores e um grande potencial de compra de bens de consumo para suas residências.

Além do relacionamento entre os moradores e os descontos que o aplicativo possibilita, há também uma área para os usuários saberem o que está acontecendo no local, como eventos culturais em geral ou os filmes em cartaz no cinema.

Como uma cidade inteligente social, há também serviços gratuitos para moradores e pessoas que vivem no entorno, como aulas de inglês.

O projeto da cidade inteligente teve um custo de US$ 50 milhões, totalmente bancado pela Planet, diz Susanna. De acordo com a executiva, o retorno desse capital está previsto para os próximos cinco anos. O faturamento da empresa vem desde a venda dos terrenos até a monetização prevista para o aplicativo, ao cobrar das empresas para oferecer serviços ou produtos para os moradores.

Expansão

Ainda sem a conclusão das duas partes da obra no Ceará, Susanna adianta que a próxima cidade inteligente da Planet já está em andamento. “Será em uma cidade de mesmo nome, São Gonçalo do Amarante, mas localizada no Rio Grande do Norte.” A executiva explica que já fechou os contratos com a prefeitura e o lançamento oficial do projeto está previsto para fevereiro. O tamanho será de 170 hectares, que deve comportar em torno de 15 mil moradores.

Segundo ela, a perspectiva é criar dez cidades inteligentes no País nos próximos anos. Susanna aposta que, com a expertise conquistada, as próximas obras serão mais rápidas e mais baratas.

Especulação imobiliária

O receio de uma valorização excessiva dos imóveis que possa afastar os moradores com menor poder aquisitivo existe, mas a Planet já pensa em uma solução. “Vamos mostrar para os moradores que não vale a pena vender seu imóvel para ter um ‘lucro baixo’. Quanto ele pagaria para se deslocar até o trabalho e colocar os filhos em uma escola de inglês?”, disse.

Para o co-fundador da iCities, empresa que faz projetos e soluções para cidades inteligentes, Roberto Marcelino, o projeto da Smart City Laguna é positivo e inovador, mas não se pode afirmar que os moradores mais humildes vão continuar no local. “A ideia é experimental, então não sabemos como vai ser no futuro.”