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As provisões consolidadas dos quatro principais bancos listados no País – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander – bateram o recorde para o primeiro trimestre neste ano e somaram R$ 117,9 bilhões. As perdas, porém, registraram queda de 20,3%.

A soma das despesas com Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) – montante passado a prejuízo – ficaram em R$ 14,989 bilhões no primeiro trimestre de 2018 contra os R$ 18,694 bilhões registrados em igual intervalo do ano passado.

As provisões, por sua vez, mesmo tendo crescido abaixo da inflação ante o primeiro trimestre de 2017 (+0,8%, contra R$ 116,9 bilhões), ainda assim registraram o maior patamar para o período na série histórica.

O valor dos três primeiros meses de 2016, por exemplo, foi de R$ 114,4 bilhões, enquanto o mesmo período de 2015 ficou em R$ 106,4 bilhões.

Para o analista da Planner Corretora Victor Martins, o aumento das provisões consolidadas vêm não somente porque ainda há resquício de safras de empréstimos passadas, mas também porque teremos um “ano de volatilidade” pela frente.

“A sinalização não é de um período ruim, tanto que já vemos uma leve recuperação das carteiras, mas sim de uma retomada mais lenta do que o antecipado. A espera é pela consolidação de um cenário melhor para só então adequar o nível de provisão”, explica o especialista.

Ainda que a aposta no aumento da carteira de crédito seja visível nos guidances dos quatro maiores bancos do País – todos com projeções de crescimento –, o movimento ainda não foi visto neste primeiro trimestre.

Dos quatro, o Santander foi o único que demonstrou alta próxima dos dois dígitos na carteira total (+9%), de R$ 257,2 bilhões nos três primeiros meses de 2017 para R$ 280,4 bilhões em igual período deste ano.

Em seguida veio o Itaú, que subiu 2,4%, de R$ 587 bilhões para R$ 601,1 bilhões na mesma base de comparação. O Bradesco teve queda de 3,2%, de R$ 502,7 bilhões para R$ 486,6 bilhões e o Banco do Brasil caiu 1,9% na mesma relação, de R$ 688,7 bilhões para R$ 675,6 bilhões.

Nessa linha, porém, o professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA) Marcos Piellusch reforça que, quando vista relativamente à carteira, as provisões demonstram aspectos mais positivos do que os observados nos últimos anos.

“Embora o valor absoluto seja maior, o montante relativo à carteira de crédito tem sinalizações positivas. É lógico que os bancos continuarão cautelosos em relação às eleições, mas as perdas estão caindo e mostram perspectivas de melhora”, avalia.

Além de outra possível redução na taxa básica de juros (Selic) já precificada para esta semana, por exemplo, os bancos também demonstraram estabilidade e até mesmo certo recuo de calotes.

O BB, por exemplo, saiu de 3,89% de janeiro a março em 2017 para 3,65% neste ano, retração de 0,24 ponto percentual (p.p.). O Bradesco foi de 5,6% para 4,39% (-1,21 p.p.), Itaú foi de 3,4% para 3,1% (-0,3 p.p.) e o Santander ficou estável em 2,9%.

Segundo Martins, “o ano de transição que era pra ter acontecido em 2017 foi postergado para este ano”, e ainda que o cenário tenha ajudado os resultados bancários, pode haver desafio para as instituições a partir de 2019.

“É difícil prever, mas se continuarmos com um cenário de recuperação lenta e juros baixos, os bancos terão que buscar melhor alavancagem em termos de crédito e compensar a carteira, porque mesmo a variação de despesas e receitas de serviços tem limite”, comenta o especialista.

Ele reforça ainda que há espaço para maiores reduções nos spreads neste ano, mas que os crescimentos nas carteira bancárias em 2018 serão bem baixos.

“Devem ficar entre 5% e 10%, mas a partir do momento que tivermos uma definição mais clara do ambiente doméstico, teremos movimentações mais significativas em crédito, spreads e até mesmo nas provisões”, diz.

Carteiras específicas

Em relação aos empréstimos, porém, os especialistas entrevistados pelo DCI ponderam que os destaques ainda devem continuar em pessoa física, varejo e pequenas e médias empresas dentro das carteiras.

Os quatro bancos tiveram aumento nos financiamentos para pessoa física.

O Santander foi destaque, com avanço de 21%, de R$ 93,9 bilhões para R$ 113,7 bilhões, seguido por Itaú (+6%, de R$ 180,5 bilhões para R$ 191,4 bilhões); Bradesco (+3,5%, de R$ 171,8 bilhões para R$ 177,8 bilhões) e BB (+0,3%, de R$ 185,1 bilhões para R$ 185,7 bilhões).

Para pessoas jurídicas, no entanto, as carteiras ainda prevalecem em queda. No Bradesco – o maior recuo –, registrou R$ 308,8 bilhões (-6,7% frente aos R$ 330,8 bilhões vistos no primeiro trimestre de 2017). Em seguida vieram Santander (-6,5%, de R$ 94,8 bilhões para R$ 88,7 bilhões; BB (-6,2%, de R$ 280,8 bilhões para R$ 263,2 bilhões) e Itaú (-4,9%, de R$ 236,6 bilhões para R$ 225 bilhões).

“Muitas das grandes empresas estão migrando para o mercado de capitais e os bancos já estão com estrutura o suficiente para não deixar perder esse movimento. Mas para uma recuperação consistente é preciso mais certeza e uma economia mais ativa”, conclui Martins.