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O Brasil tem menos de 10% do número necessário de robôs em relação ao tamanho do seu setor industrial. O País vê distância competitiva aumentar não só para os líderes globais, mas também para economias de patamar equivalente.

“O Brasil ficou muito para trás em relação ao resto do mundo. A nossa estimativa é que, pelo tamanho da manufatura do País, deveriam ter 200 mil robôs em operação. Na realidade, temos apenas 15 mil”, aponta o CEO da Pollux, José Rizzo.

De acordo com um levantamento feito pela Federação Internacional de Robótica (IFR), o Brasil se distanciou do pelotão dos cinco países com os maiores estoques de robôs (China, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha) e foi ultrapassado até por economias similares, como o México, que tomou a liderança na América Latina, com suas mais de 27 mil máquinas, cerca 64,3% dos robôs da região, ante os 29,5% do mercado brasileiro.

Para Rizzo, o cenário econômico tem sido o grande inibidor deste tipo de investimento. “A incerteza em relação ao futuro e também o protecionismo à indústria acabam não incentivando esse tipo de aporte. Nossa visão é que, com as reformas econômicas e a maior abertura comercial, esse processo deve acelerar.”

O executivo acredita que no cenário após a implementação da agenda econômica pelo governo, o Brasil irá se deparar com problemas enfrentados por outros países há mais tempo. “A demanda por robôs vai crescer. Investir em tecnologia requer visão de médio e longo prazo. Com a nova política, vai haver um horizonte mais positivo e ampliado.”

Ele assinala que a reforma Tributária pode ter um impacto positivo no segmento. “Robôs não tem imposto de importação, mas tem uma carga tributária que traz um custo de 30% a 40% maior do que em países próximos. A tendência é que isso ao menos fique mais simplificado.”

Medidas

O coordenador de Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Bruno Jorge, afirma que em breve será anunciado um plano de ação da indústria 4.0. “Não será uma agenda extensa, mas um primeiro conjunto de ações e medidas.”

Ele entende que, apesar dos comparativos com outros países, não existe uma análise aprofundada sobre a robotização na indústria nacional. “Alguns setores tem destaque nessa implementação, como o automotivo, alimentos e bebidas e logística. Vemos agora robôs na forma colaborativa. Antes eles eram muito restritos a operações pesadas.”

Jorge entende que a maioria dos investimentos recentes em automação segue uma lógica de redução de custos. “É o que tem impulsionado esses projetos. Existe um excesso de capacidade ociosa na indústria e ainda não vemos aportes voltados na expansão.”

Outra pesquisa, feita pela Associação Brasileira da Internet Industrial (ABII) com 84 empresas brasileiras, apontou que grande parte dos entrevistados ainda possui pouco contato com o conceito de internet industrial e ainda encontra dificuldades para definir e interpretar o contexto desta tecnologia. A pesquisa mostra que 45 não tem intenção de implementar algum projeto de internet das coisas.

Quando questionados sobre os desafios, os entrevistados destacaram a dificuldade de comprovação de retorno e a cultura conservadora como os principais obstáculos. Rizzo conta que uma forma encontrada pela empresa de difundir a robotização foi criar a modalidade de locação, que torna as implementações mais acessíveis. “Uma célula robotizada de R$ 300 mil cai para 10 mil reais mensais. É um modelo pioneiro no mundo.”