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A safra brasileira de grãos 2018/2019 pode chegar a 238,9 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% comparado à colheita anterior. Os dados fazem parte do 9º Levantamento da Safra de Grãos 2018/2019 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira, 11. Se confirmado, o resultado representa um novo recorde, superando em cerca de 100 mil toneladas 2016/17.

O resultado geral foi impulsionado, em grande parte, pelo bom desempenho do algodão e do milho, frente à queda de 3,7% na produtividade da soja. “A área produtiva do algodão vem crescendo de forma nítida ano após ano e isso, consequentemente, tem se refletido na produção, que teve alta de 33% em relação à safra anterior”, diz o gerente de levantamento de safra da Conab, Eledon Pereira.

De acordo com o especialista, a commodity está em um estágio de maturação e em uma fase reprodutiva a qual deve alavancar o potencial da segunda colheita, que deve começar no meio do mês de julho e vai até setembro. “Grande parte dessa produção de algodão deve ter como destino exportação para outras nações, como ocorre naturalmente. Outros fatores que influenciaram positivamente o desempenho do algodão foi o atual preço por tonelada [R$ 83] e a demanda crescente por parte do cenário externo”, complementou Pereira.

Em relação ao milho – o segundo produto agrícola mais importante em termos de produção no Brasil –, Pereira destaca que houve atraso no período de chuvas para o momento de plantio deste ano, resultando em uma janela ideal para o início da colheita do ano de 2019. “Com isso, os produtores de milho tinhas as condições ideais para o início da safrinha. O destaque foi a Região Sul do País, a qual é responsável por cerca de 45% da safra estimada em 26,3 milhões de toneladas”, argumentou Pereira, destacando também que houve um avanço em torno de 7% na área de plantio do produto em relação a 2017/2018.

Conforme o levantamento, o milho na segunda safra teve um aumento de 31,1% na produção, impulsionado principalmente pelos avanços esperados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Já em relação à soja – a principal commodity produzida no Brasil –, Pereira afirma que a redução nos níveis de produtividade se deve em função das condições climáticas desfavoráveis que atingiram a região do cultivo do grão. “A soja teve um grave problema por conta da estiagem nas áreas de plantio, o que foi crucial para uma quebra na produção em relação à colheita do ano passado”, complementou ele.

Em linha com a perspectiva, o gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Carlos Antonio Barradas, afirma que as maiores quedas na produção de soja ocorreram nos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo – puxando para baixo o resultado geral do País. “Como o clima ajudou a colheita de algodão e milho, esses produtos devem ganhar espaço onde a soja perdeu”, comentou ele.

USDA

A safra de soja do Brasil deve avançar na temporada 2019/20 em relação ao ano anterior, enquanto a de milho tende a permanecer estável ante 2018/19, estimou nesta terça-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

De acordo com as projeções do órgão, a produção de soja pelo País será de 123 milhões de toneladas em 2019/10, mesmo nível indicado na estimativa de maio, enquanto são vistos 117 milhões de toneladas para a safra 2018/19.

Já a produção de milho deverá atingir 101 milhões de toneladas em 2019/20, estável ante a previsão de maio e à estimativa para a temporada 2018/19.