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Fabricantes de pisos e revestimentos projetam crescimento impulsionado por reaquecimento da construção civil. Porém, o reajuste do gás natural em São Paulo é visto como uma das principais preocupações do setor.

“Fizemos um investimento forte em 2018, prevendo que esse ano será diferente. Esperamos uma melhora das construtoras e mais lançamentos de empreendimentos”, declarou o gerente comercial e marketing da Villagres, Renato Salvatti.

O executivo aponta que o fim do período eleitoral reduziu incertezas e vê um panorama mais equilibrado. “Também vai haver impacto da redução dos estoques do setor imobiliário, que estava elevado nos últimos anos. Com isso, há uma retomada da demanda.”

O diretor da Palazzo, Antônio Cássio Bogo, afirma que a empresa tem expectativas excelentes para o ano. “Queremos crescer 30% no faturamento. É uma meta ousada, mas embasada pelo cenário e pelos nossos investimentos.”

Ele explica que a empresa, especializada em pisos de cimentos para o mercado de alto padrão, investiu em pesquisa e desenvolvimento para baratear os custos com a logística. “Como frete é tabelado por peso, nós criamos um produto mais leve e conseguimos reduzir a espessura em 50%.”

O diretor geral da Aubicon, Rafael Safra, avalia que desde o ano passado há uma movimentação de projetos imobiliários. Especializada em pisos emborrachados e mantas acústicas, a companhia tem expectativa de 15% de crescimento no faturamento. “Observamos os segmentos de playgrounds e academias fortes e o corporativo começando a demandar.”

O executivo estima que a empresa detém uma fatia de mercado de cerca de 45%. “Não há outros grandes fabricantes. Por termos uma oferta diversificada, atendendo diferentes mercados, não sofremos muito durante a crise.”

Ele destaca que o setor público também tem gerado negócios. “Há procura para parques e escolas.” A Aubicon também tem atuado com exportações, atuando principalmente na América Latina.

Reajuste

O unico ponto negativo apontado pelos fabricantes de pisos de cerâmica é o reajuste de 23% do gás natural de uso industrial no estado de São Paulo. “É insumo que tem impacto de 30% na produção”, conta Salvatti. Por fazer uso intensivo do gás, o setor foi um do mais afetados, juntamente com a indústria química e de vidro.

O presidente da Lepri, José Lepri Neto, afirma que o valor é bem mais elevado que em outras regiões do País. “Gás é um problema, em alguns estados chega a ser 40% mais barato do que em São Paulo.”

Ele diz que a empresa, voltada para o mercado de alto padrão, não enfrentou grandes problemas durante a crise. “O mercado de luxo não sofreu com esses altos e baixos.”

Ele acredita que a companhia poderá ocupar completamente sua capacidade instalada nesse ano. “Atualmente, temos 30% de ociosidade.”