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A participação de grandes incorporadores e administradoras hoteleiras tradicionais deve caracterizar os próximos ciclos de crescimento dos empreendimentos de multipropriedade no Brasil. O desafio agora será atingir a consolidação e evitar que novos entrantes desequilibrem o setor.

“O modelo pode ajudar a capitalizar o lançamento de novos projetos hoteleiros e turísticos no País, assim como foram os flats e condo-hotéis nos períodos anteriores", afirma o vice-presidente de desenvolvimento da Atlantica Hotels, Ricardo Bluvol.

De acordo com ele, este modelo de incorporação tem uma sinergia grande com a hotelaria e a hospitalidade, pois quem compra uma fração da multipropriedade também tem um anseio de serviços hoteleiros, como lazer e alimentação. “Onde a Atlantica tem expertise.”

A rede não revelou os nomes, mas afirmou que já tem projetos em análise. "[Entre eles], temos em negociação um empreendimento misto no Nordeste, onde teremos um Hotel juntamente com vilas multipropriedades", afirma Bluvol.

Não apenas grandes hoteleiras, como também incorporadores tradicionais e imobiliárias têm o segmento no radar, de acordo com o vice-presidente de assuntos turísticos e imobiliários do Sindicato da habitação (Secovi-SP), Caio Calfat.

Um dos motivos para isso é o desempenho que tem despontado nos últimos anos. “Constatamos que nos piores anos do mercado imobiliário brasileiro se vendeu segunda habitação e não se vendeu primeira.”

Um exemplo é a expectativa de vendas do The Coral, localizado em Fortaleza (CE), o primeiro projeto com venda fracionada do Grupo BRIC no Brasil. Segundo a gerente de desenvolvimento de negócios do BRIC no Brasil, Daline Moura, o lançamento oficial será realizado em julho, mas a projeção é de média mensal de vendas de R$ 3 milhões, por mês.

A primeira etapa do projeto terá 88 residências com frações a partir de R$ 50 mil. “Só neste primeiro momento o Valor Geral de Vendas (VGV) é de US$ 150 milhões”, explica Daline.

“A demanda é grande. O comprador tem férias garantidas por um tíquete muito menor. Normalmente você usa a moradia duas ou três vezes, mas tem que pagar todo mês as contas fixas. Na multipropriedade o custo é muito mais baixo”, diz.

Oferta em números

Calfat, do Secovi-SP, acredita que a atratividade do setor está cada vez mais evidente. “O evento ADIT Share, que trata sobre este mercado, tem seis edições. Na primeira eram 70 participantes e nas últimas duas foram 350, entre eles players que antes não iam”, aponta.

Em sua consultoria, ele comenta que já foi chamado por todas as grandes redes de hotéis para falar sobre o setor. “Estão participando dos eventos, mas não se decidiram. Em algum momento vão acabar entrando. Ou eles entram ou alguém entra, porque alguém precisa tomar conta desses prédios e oferecer os serviços.”

O presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Orlando de Souza, confirma que a entidade tem acompanhado o tema, mas acredita que o foco da maior parte dos hotéis será apenas de “olhar”, por ora.

“Eles querem ver como funciona hoje e como estará funcionando no futuro. O que acontece de fato quando alguém quiser sair? Ou, como serão resolvidas questões de herança?. Ainda há respostas que precisam ser resolvidas”, questiona Souza.

Um fator que ajudará é a aprovação do projeto de lei PLS 54/2017, que trata de especificações sobre o setor. Atualmente o desenvolvimento de multipropriedade é regulamentado pela lei de incorporações imobiliárias. Além disso, o Secovi está realizando um manual de melhores práticas para o segmento. Para o presidente da ADIT Brasil , Felipe Cavalcante, incentivar boas práticas evitarão que “aventureiros entrem e não façam um bom trabalho, porque obras inacabadas ou não entregues são situações que as pessoas podem generalizar e afetar todo o setor”, explica.

Além disso, ele destaca que é necessário evitar a superoferta nos destinos. “As oportunidades são muitas, mas a falta de um estudo correto pode trazer um desequilíbrio de oferta e demanda [...] É muito importante que neste momento, em que os empreendimentos estão sendo entregues, as operações tenham sucesso”, analisa.