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O mercado de vinhos passa por uma transformação no País. Safras cada vez mais robustas, investimentos na produção de rótulos nacionais e expansão da cultura do produto entre os brasileiros têm estimulado as empresas do setor, que projetam crescimento acima de 15% para este ano.

“O consumo per capita de vinho ainda é baixo no País, de 1,9 litro/ano por habitante, mas com prévia de bom crescimento nos próximos anos. Estamos ampliando a oferta de marcas fortes do mercado e a distribuição no País”, relata o gerente de marketing da Cantu Importadora, Emil Lecamp.

De acordo com o executivo, um dos fatores que influenciaram negativamente o desempenho do negócio em 2018 foi a oscilação do câmbio. “O dólar teve muito impacto no ano passado para todos os importadores. No momento de pico do setor, em setembro, pudemos verificar um recuo grande das importações em relação a períodos iguais dos anos anteriores”, conta Lecamp.

Para ele, em 2019, a tendência é que o câmbio apresente maior estabilidade, auxiliando dessa forma tanto o crescimento do mercado em geral como o segmento de importados. “Estamos esperando um ano estável em termos de câmbio, o que vai nos ajudar a crescer de uma forma mais orgânica. A previsão é que o mercado de importados cresça de 10 a 15% e, as vendas totais [incluindo nacionais], de 4 a 5%”, estima o executivo.

Em 2018, a empresa registrou aproximadamente 15% de avanço no faturamento. Tal crescimento foi sustentado, sobretudo, por meio do fortalecimento de marcas, ampliação na distribuição e uma maior oferta de produtos tanto para os lojistas quanto para o consumidor final.

Além disso, segundo o executivo, outro canal de venda que vem apresentando bons índices de comercialização de vinhos é o ambiente online. “O e-commerce cresceu muito nos últimos anos e chegou a ter 17% do mercado em 2017, mas caiu em valores”, afirma Lecamp. “Já os importadores se mantiverem estáveis com 60% do mercado de vinhos. O que mudou nestes últimos anos é o volume de entrada de produtos em supermercados, principalmente de vinhos da América do Sul”, complementou o executivo.

Para o presidente da cooperativa Vinícola Garibaldi, Oscar Ló, este ano será marcado por um processo de retomada das vendas, sobretudo em relação à viabilidade comercial de rótulos brasileiros. “Temos potencial para aumentar ainda mais a visibilidade dos vinhos e espumantes nacionais, as premiações internacionais são um bom exemplo disso.”

De acordo com o executivo, atualmente a cooperativa exporta para Chile, Canadá, Uruguai e Estados Unidos. No comércio exterior da cooperativa, as categorias de bebidas mais requisitadas são o suco de uva (39%), espumantes (32%), vinhos (17%) e filtrado doce (11%). “Para 2019, projetamos um crescimento total em faturamento na casa dos 20%. Na linha de espumantes, prevemos aumento da produção de 38%”, explicou o executivo, destacando que a safra 2018 foi ótima em termos de qualidade e quantidade.

Outro exemplo de vinícola que aposta no mercado nacional é o grupo Miolo. “Mesmo com as dificuldades do segmento no Brasil, observamos novos públicos buscando contato com o mundo do vinho”, declara o superintendente Adriano Miolo.

Segundo ele, o hábito de consumo de rótulos nacionais ainda está em processo de evolução entre os consumidores brasileiros. “A percepção de valor do vinho e espumante nacionais vem evoluindo. As conquistas das vinícolas brasileiras falam por si só. Mas sem dúvida ainda existe uma cultura de agregação de valor voltada ao produto importado. É um desafio diário que exige de todos nós aprimoramento e evolução constantes.”

Recentemente, foi criada a Pró-Vinho, entidade que visa estimular o setor. “Nossa principal meta é ajudar a promover e desenvolver o mercado de vinho no País”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos Bebidas (ABBA) – uma das mantenedoras da Pró-Vinho –, Adilson Carvalhal Júnior.