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Além de multa e paralisações de operações, a Vale enfrentou no fim da semana passada mais problemas decorrentes do rompimento da barragem da mina de Feijão em Brumadinho (MG).

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Justiça Federal de Belo Horizonte (MG) que obrigue a mineradora Vale a contratar um laboratório especializado para realizar análise da qualidade da água disponível para consumo humano em 18 cidades afetadas pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão.

A ação cautelar com a solicitação foi ajuizada na quinta-feira (07), segundo informa a AGU em seu site. Pelo pedido de liminar, a AGU quer que as amostras sejam colhidas por agentes do Sistema Único de Saúde (SUS) e os resultados, entregues diretamente à União. A AGU também pede a aplicação de multa de R$ 100 mil à Vale em caso de descumprimento da medida, e de R$ 1 milhão caso a empresa tente influenciar o resultado dos exames.

De acordo com a AGU, a análise contratada deverá medir a presença de metais como mercúrio, chumbo, arsênio, manganês e cádmio.

Paralelamente, autoridades chegaram a fechar parte do terminal portuário de Tubarão, operado pela Vale em Vitória (ES). O município multou a mineradora em R$ 35 milhões por lançar resíduos de mineração no mar e interditou o sistema de tratamento de efluentes. O prefeito de Vitória, Luciano Rezende, disse que “a poluição não pode mais ser justificada pela receita fiscal”, segundo um comunicado do governo.

Em nota, a Vale disse que vai analisar o teor do auto de interdição para adotar as medidas cabíveis. “Nas últimas fiscalizações realizadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, não foi constatada nenhuma irregularidade nesse sistema e os laudos de monitoramento de outubro a dezembro de 2018 indicam que os efluentes estão dentro dos parâmetros estabelecidos”, destacou a mineradora.

Evacuação de áreas

Moradores de Barão de Cocais (MG) foram retirados de suas residências na madrugada da sexta-feira devido a um alerta de desnível na barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, da Vale, informaram a mineradora e a prefeitura do município. Em comunicado, a Vale disse que a Agência Nacional de Mineração (ANM) “determinou a evacuação de área à jusante da barragem Sul Superior da mina Gongo Soco”.

“A Vale ressalta que a decisão é preventiva e aconteceu após a empresa de consultoria Walm negar a Declaração de Condição de Estabilidade à estrutura”, disse a mineradora.

Ainda na sexta a ArcelorMittal informou que decidiu “recomendar” a retirada de moradores de uma comunidade próxima de sua barragem da mina de Serra Azul, em Itatiaiuçu (MG), depois que uma auditoria independente elevou o nível de precaução em análises de segurança da instalação.

Cerca de 200 pessoas foram retiradas de suas casas e tiveram que ser transferidas para acomodações temporárias. A companhia informou em comunicado que a auditoria da barragem de rejeitos empregou uma “metodologia mais conservadora” no documento.