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Resultado da recém consolidada fusão entre as fabricantes de calçados esportivos Classico (SC) e Dilly (RS), o Grupo Dass inicia sua internacionalização e aposta no crescimento de 20% em faturamento. A fábrica na Argentina em El Dorado, na província de Missiones, terá produção de 50 mil pares por mês, e deverá entrar em operação em abril. A unidade no país vizinho fornecerá tênis para a marca norte-americana Nike.

Detentora no mercado nacional das marcas esportivas Fila, Kappa e Umbro, além da marca própria Tryon, o grupo vai aproveitar ainda mais a experiência da Clássico em confecção para lançar uma linha de roupas esportivas com a marca Fila. A expectativa é de somente com essa linha vender 600 mil peças em 2007. "Vamos aproveitar ainda mais o expertise de cada empresa que compõe o grupo e melhorar a sinergia", afirma Vilson Hermes, presidente da organização.

A organização que exporta cerca de US$ 40 milhões com base no Brasil, optou por instalar uma unidade na Argentina por um conjunto de fatores. A perda de competitividade nas exportações, como consequência do dólar baixo em relação ao real, motivo para as dificuldades enfrentadas pelo setor é o principal. As barreiras burocráticas à exportação para aquele país e as facilidades que o governo argentino vem oferecendo às empresas calçadistas também são importantes. O governo argentino tem tentado atrair a indústria calçadista interessado nos empregos gerados já que o segmento utiliza mão-de-obra de forma intensiva.

Este deve ser o primeiro passo da expansão internacional que a empresa planeja , segundo Hermes. E deverá mobilizar a atenção da empresa nospróximos anos.

Em 2006, o grupo, que fatura R$ 500 milhões ao ano, cresceu 10% por conta de investimentos em novos produtos e marketing, principalmente com as marcas mundiais das quais detém a gestão no mercado nacional. "Apesar do consumo per capita estar estagnado no País, registramos crescimento por termos fábricas eficientes", garante Hermes. O Dass tem tradição na manufatura de calçados esportivos para terceiros, cerca de 20% de toda a produção, com clientes como Adidas, Oakley, Hugo Boss e Unisa, o que ajudou na otimização da produção, no aumento de escala e sustentou o crescimento acima da média do setor.

O processo de fusão das fabricantes está em andamento desde agosto de 2003 quando o grupo começou a formar-se através de uma operação de compra e venda de participações entre a Dilly e a Clássico, em agosto de 2003, que resultou na mesma composição societária para as duas empresas. Hoje, a participação societária do grupo, uma espécie de holding, é dividido igualmente entre a Dilly, a Clássico e um terceiro investidor, a American Fashion, de capital nacional.

Atualmente o grupo conta com dez fábricas no Brasil - são 3 unidades no Rio Grande do Sul, 3 em Santa Catarina, 3 na Bahia e 1 no Ceará, além das equipes de gestão de marcas sediadas em São Paulo - e produz 10 milhões de peças de vestuário e calçado.

Otimismo em Franca

Os fabricantes do pólo calçadista de Franca, que registraram decréscimo de 11,6% na produção de janeiro a dezembro de 2006, estão satisfeitos com as perspectivas para o ano de 2007 que têm se delineado em uma das maiores feiras do setor, a Couromoda, que se realiza em São Paulo até quinta.Fica cada vez mais evidente a mudança de perfil das exportações de Franca, em que produtos de alto valor agregado substituem grandes volumes, afirma o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca. Dados de 2006 apontam essa tendência: a redução das exportações em volume ficou em 23,3% em relação a 2005, enquanto o faturamento foi apenas 14,4% menor.