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Empresas agrícolas brasileiras como a Figo Brasil e a apícola Fernão Velho optaram pela industrialização de produtos diferenciados e estão obtendo bons resultados no food service, até mesmo no exigente mercado norte-americano.

A Figo Brasil conseguiu a aprovação da segunda maior distribuidora de alimentos norte-americana para bares e restaurantes, a US Food Service , que movimenta US$ 18 bilhões por ano. A Cica, sua única concorrente em grande escala, desistiu de comercializar o figo-ramy há alguns anos, depois de concluir que a fruta é delicada demais e sua aceitação no mercado é restrita a poucos nichos.

A empresa, que tem 150 hectares plantados com figueiras e vende para empórios finos, hotéis e restaurantes no mercado interno, também acaba de receber uma proposta para entrar no mercado europeu. "Como insistimos no figo, tivemos de processá-lo em escala industrial para ter mercado, e descobrimos que existia grande demanda do produto no food service", explica Luiz Rincon, diretor da empresa. As negociações para exportação ainda precisam ser concluídas.

"Acontece que o produtor rural não tem projeto de mercado. Todos acabam plantando a mesma coisa. Se não der certo, vão pedir ajuda ao governo federal", explica Ricardo Santos Neto, presidente do Instituto Mercadológico das Américas (IMA) consultoria para exportação de alimentos. Para ele, que idealizou a maior feira de negócios de alimentos da América Latina, a Fispal, há 22 anos, falta um elo entre o produtor e o food service. "Há demanda por vários produtos alimentícios em redes de refeições, mas o agricultor não sabe. Se você quiser tomar uma sopa de aspargos, será caro, porque não se supre essa demanda", diz Neto.

A Figo Brasil ganhou o prêmio de melhor produto na Fispal Estados Unidos 2006 e acaba de registrar um pedido de duas toneladas de figada para um cliente brasileiro.

A Fernão Velho,de Maceió, seguiu um caminho parecido. Como o mel é um produto barato e tem uma produção grande no País, Ivacy Lima, dona da apícola, foi ao Canadá aprender como produzir vinagre e vinho de mel, para gastronomia.

O produto de maior valor agregado que utiliza levedura importada da Alemanha também foi aprovado pelo US Food Service - que esteve no Brasil durante a Fispal Food Service a convite do IMA - já tem aprovação do órgão que regula alimentos nos Estados Unidos e rótulos adaptados para esse mercado. A perspectiva da apícola é aumentar sua receita em pelo menos 50% este ano. O chefe de cozinha Laurent Suaudeau ainda está preparando uma receita com o vinagre de mel, e ajudará na sua divulgação entre os profissionais.