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São Paulo -

O polo petroquímico da Braskem em Duque de Caxias (RJ) deve receber R$ 15 milhões em investimentos neste ano. O aporte deve se concentrar na manutenção das atividades, em um momento em que a demanda do mercado local continua pressionada pela retração da economia.

"Os investimentos já começam a trazer benefícios operacionais. As melhorias realizadas até o momento, aliadas à maior disponibilidade de matéria-prima, contribuíram para que a taxa média de operação do cracker atingisse 94% no segundo trimestre de 2016, o que colaborou com um melhor resultado operacional", afirmou ao DCI o gerente industrial da unidade da Braskem em Duque de Caxias, Carlos de Freitas Alfano. O executivo conversou com a reportagem antes do período de silêncio.

Segundo ele, os recursos têm sido destinados à implementação de sistemas de produção e gestão, além da manutenção de equipamentos do complexo.

Com cinco turnos operando em revezamento, Alfano estima que a operação em Duque de Caxias empregue cerca de 1.500 pessoas atualmente, considerando funções ligadas direta e indiretamente à companhia.

"A unidade de polipropileno recebeu, no início do ano, R$ 700 mil para um projeto de aprimoramento da queima de propeno no stack flare, mecanismo de segurança utilizado por indústrias químicas. Com este investimento, diminuímos em 47% a emissão de CO2", destacou. Alfano acrescenta que outros R$ 3,5 milhões foram aplicados para melhorar a confiabilidade das caldeiras da Unidade de Petroquímicos Básicos (Unib) de Duque de Caxias.

Ao todo, a fabricante tem três linhas de produção instaladas no polo petroquímico de Campos Elíseos, em Duque de Caxias: a planta de polipropileno (PP 5), com capacidade para produção de até 300 mil toneladas de resinas por ano; a Unidade de Petroquímicos Básicos (Unib 4), que fabrica até 520 mil toneladas de eteno e 75 mil toneladas de propeno; e a linha de polietileno (PE 9), com capacidade para 540 mil toneladas de polietileno de alta densidade (PEAD) e polietileno de baixa densidade (PELBD) produzidas todo ano.

Apesar dos investimentos neste ano, quando o ritmo de encomendas voltar a crescer novos aportes serão necessários para elevar a produtividade do polo petroquímico.

"Com a capacidade que estamos operando, temos cada vez mais disponibilidade de matéria-prima e, por isso, conseguimos aumentar a produção sem grande investimento de modificação na unidade", pontua Alfano. "Mas na medida em que tivermos um mercado maior, temos planos para investir e destravar gargalos."

Competitividade

A principal vantagem da unidade da Braskem em Duque de Caxias frente a outras é o uso dos gases etano e propano como matéria-prima em vez de nafta. Essa característica da planta, inaugurada em 2006, está alinhada com a estratégia da companhia de diversificar cada vez mais suas fontes de insumos e evitar a dependência da nafta, derivado do petróleo muito usado pela indústria petroquímica e que já foi tema inclusive de disputas na negociação com a Petrobras, principal fornecedora do insumo à Braskem.

"O complexo petroquímico também se destaca por poder receber insumos de diversas formas, como marítima, terrestre e por tubulação, contribuindo para facilitar a logística de acesso à matéria-prima", lembrou Alfano.

A proximidade do polo dos maiores centros consumidores dos produtos da Braskem também foi citada por ele como outro fator que beneficia a unidade na briga pelo mercado local. Para o médio prazo, a expectativa de Alfano é continuar crescendo no Rio de Janeiro. No entanto, aportes para expandir a capacidade produtiva da unidade não estão nos planos da companhia neste momento.

"À medida que os mercados brasileiro e internacional apresentarem crescimento, pode ser que futuramente avaliemos um aumento de produção aqui na unidade, mas não há nada nos planos hoje."

O mercado brasileiro, seguido por outros países da América do Sul e Europa, são os principais destinos dos volumes fabricados no polo. As vendas ao exterior têm participação relevante nos negócios da unidade, em linha com o verificado pela companhia petroquímica como um todo.

O desempenho operacional e financeiro da Braskem no terceiro trimestre deve ser divulgado em novembro. Até lá, a petroquímica continua informando ao mercado o andamento do processo de investigação movido internamente para apurar irregularidades na companhia. O ex-presidente da Braskem, Carlos Fadigas, que esteve no comando da empresa de 2001 a 2016, também estaria negociando um acordo de delação premiada com autoridades. Se confirmado o acordo, o executivo deve colaborar com o esclarecimento sobre o envolvimento da empresa no pagamento de propinas, investigadas no âmbito da operação Lava Jato.