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SÃO PAULO - A indústria da construção civil é a que mais sofre com falta de qualificação profissional. Esse é o resultado da Sondagem Especial – falta de trabalhador qualificado, desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, divulgada nesta quinta-feira (8). De acordo com o estudo, três em cada quatro empresas afirmam ter dificuldade com a falta de mão de obra qualifica, isso representa 74% das companhias do setor.



Entre as pequenas empresas, 64% têm dificuldades para encontrar mão de obra capacitada. Entre as médias, o percentual sobe para 77%, e nas grandes chega a 81%. Aprofundando por área de atuação, a maior carência está no grupo de funcionários básicos ligados à obra, como pedreiros e serventes (94%), seguido de funcionários técnicos (92%). Em terceiro lugar, o grupo com maior deficiência é o de funcionários especializados (77%), a área administrativa segue em quarta posição (70%), na gerencial (69%), vendas/marketing (52%) e por último a de pesquisa e desenvolvimento (45%).



“A construção passou um período longo, estagnada. Quando voltou a crescer, havia um déficit grande de trabalhadores”, explica o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, responsável pela pesquisa. De acordo com empresários do segmento, os números comprometem a eficiência das empresas, a qualidade das obras, o cumprimento dos prazos e a redução do desperdício.



Para o diretor da consultoria Capella RH, Fernando Montero Capella, o principal motivo para ausência de mão de obra qualificada está no aquecimento do mercado da construção civil, principalmente nos últimos oito anos, em razão da chegada dos grandes eventos esportivos, da expectativa gerada com a exploração do pré-sal e a chegada de empresas estrangeiras que viram no Brasil uma oportunidade de investimento fora da crise econômica internacional. “Isso tudo aconteceu, mas o mercado não estava preparado para a aceleração no sentido de qualificação profissional”, diz.



A pesquisa ouviu 424 empresas dos setores de obras de infraestrutura, de construção de edifícios e de serviços especializados entre os dia 1º e 11 abril de 2013. Dessas, 136 são de pequeno porte, 195 médias e 93 grandes.



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