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O Laboratório Cristália , sediado em Itapira (SP), investe no licenciamento de seus medicamentos para companhias multinacionais e nacionais da América Latina e do Oriente Médio. A ação vai no sentido oposto ao da indústria farmacêutica brasileira, que comercializa produtos cujos royalties são pagos às empresas internacionais. Com isso, a Cristália deverá elevar sua exportação de 6% para até 12% do seu faturamento, em um período de três anos.

De acordo com Ogari de Castro Pacheco, presidente da companhia, a liderança no segmento de anestésicos e analgésicos no Brasil atrai parcerias com empresas estrangeiras. Atualmente, a Cristália detém 35% de participação de mercado neste setor, que movimenta, segundo Pacheco, US$ 450 milhões anualmente no País. Pacheco acrescenta que, com o objetivo de atender ao mercado externo, a empresa estuda ainda a construção de uma unidade para a produção de farmoquímicos dedicada. A planta produzirá, em volume, cinco vezes mais princípios ativos. do que é fabricado hoje pela empresa. "A nova unidade terá uma capacidade produtiva de 50 mil toneladas por mês e, ao contrário da já existente, se concentrará na fabricação de apenas um insumo voltado para anestésicos." Além dela, a Cristália prentende inaugurar, até 2007, uma unidade fabril de biotecnologia. Juntos, os investimentos demandaram R$ 40 milhões.

Uma segunda unidade produtiva, de R$ 50 milhões, está sendo construída próxima à sede da empresa. Esta planta entrará em operação em 2007 e é resultado do atual limite de capacidade em que se encontra a matriz. "Ela auxiliará na expansão que pretendemos alcançar no mercado interno, em especial com os medicamentos de prescrição, e também à exportação", diz. Com os aportes citados, a Cristália triplicará sua capacidade produtiva, alcançando a marca das 300 milhões de unidades mensais de medicamentos. Atualmente, a companhia vende 100 milhões de comprimidos por mês e fechará 2005 com faturamento de R$ 210 milhões. O portfólio de produtos da empresa conta com 350 itens, entre anestésicos, narcoanalgésicos e medicamentos psiquiátricos.

Pesquisas

A Cristália apresenta 15 moléculas em estudo, entre inovações incrementais (que melhoram medicamentos já existentes) e radicais (de ação inédita). Entre as substâncias em análise da companhia há um antiretroviral para tratamento do vírus HIV, que, segundo Pacheco, é 10 vezes mais potente que os produtos existentes no mercado; uma droga para prevenção de infarto (cardiológica), e um medicamento contra disfunção erétil que se encontra na fase conclusiva de estudos. Pacheco acredita que, até abril do ano que vem, o medicamento esteja finalizado para ser submetido à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A molécula, batizada de Lifafil, tem um início de ação de 20 minutos, tempo mais rápido que a do líder Viagra, fabricado pela Pfizer, e uma duração de oito horas .

Se o medicamento for aprovado, a expectativa da Cristália é conquistar de 15% a 20% do mercado de produtos contra disfunção erétil, nos primeiros dois anos de vendas do item. Em 2004, este setor movimentou R$ 348,4 milhões no Brasil. E a previsão é que o segmento cresça, este ano, 9,5%. Há ainda um estudo, na área incremental, de um analgésico que apresenta 40% menos de substâncias químicas em sua composição. "De acordo com os estudos desenvolvidos até o momento, esta droga apresenta menos efeitos colaterais e é mais segura", cita Pacheco.

Hoje, metade das vendas da empresa é destinada ao segmento hospitalar. "Somos a segunda empresa no Brasil nesta área, atrás apenas da Roche ", destaca. Para 2006, a previsão da Cristália é lançar de três a quatro medicamentos - entre anestésicos e analgésicos. "O setor hospitalar brasileiro ainda enfrenta um crescimento vegetativo, por conta de não haver estímulo de vendas destes produtos. É preciso também buscar novos mercados para esses produtos", avalia.