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A indústria química viu seu déficit da balança comercial subir 21,5% de janeiro a setembro, para US$ 21,6 bilhões, puxado principalmente pelas importações do agronegócio, informou nesta segunda-feira (22) a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Nos últimos 12 meses – outubro de 2017 a setembro deste ano–, o déficit já atingiu US$ 27,3 bilhões, informa a associação, e a expectativa é que o saldo negativo acumulado em 2018 alcance cerca de US$ 28 bilhões, o maior desde 2014.

Para a diretora de assuntos de comércio exterior da Abiquim, Denise Naranjo, a escalada das tensões comerciais entre as maiores economias do mundo, o delicado momento econômico enfrentado pela Argentina (principal destino das exportações brasileiras no setor), a instabilidade na retomada do crescimento no Brasil e a forte oscilação cambial serão variáveis determinantes para a balança comercial até o final do ano. “O último trimestre de 2018 será particularmente desafiador”, destacou em nota.

Segundo ela, diante do turbulento cenário internacional, o Brasil precisa “imediatamente” retomar a agenda de fortalecimento da competitividade da indústria, “com políticas públicas que promovam mais produção nacional e atração de novos investimentos”. No acumulado de janeiro a setembro, as importações de produtos químicos somam US$ 31,6 bilhões, alta de 13,4% frente ao mesmo período de 2017. Já as vendas externas alcançaram a marca de US$ 10 bilhões, recuo de 0,9% na mesma base.

Em termos de volumes, as importações alcançaram 31,5 milhões de toneladas, abaixo das 32,5 milhões de toneladas de igual intervalo de 2017. As compras externas se concentraram em produtos químicos para o agronegócio, informou a entidade.

Balanço mensal

Em setembro, o Brasil importou quase US$ 4 bilhões em produtos químicos, aumento de 5,2% em relação a igual mês de 2017. Já o valor exportado alcançou US$ 1,1 bilhão, uma redução de 8,3% na mesma base de comparação.

Segundo a Abiquim, os produtos químicos mais importados foram os intermediários para fertilizantes, cujas compras externas totalizaram cerca de US$ 879 milhões no período, incremento de 52,4% na comparação anual.