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SÃO PAULO - Da feira livre para a caixinha. Já faz um tempo que o caldo de cana, ou garapa, é industrializado e vendido em supermercados. Foi de olho nesse nicho que os primos Ernest Saraiva Petty e Ernest Sicolli Petty viram a oportunidade de empreender com outra versão da planta. Com a ajuda do economista Ricardo Cotrim, os agrônomos fundaram a Cana Bacana com a proposta de reacender o hábito de consumo de pequenos pedaços de cana.



Idealizada há dois anos, a empresa iniciou as atividades em fevereiro de 2015. O desenvolvimento levou nove meses, período em que os empreendedores fizeram uma série de ensaios e pesquisas para garantir a conservação do produto sem o uso de aditivos químicos.



Além do apelo nostálgico, a estratégia foi elaborada para apresentar a Cana Bacana como um lanche energético, 100% natural e que atendesse o maior público possível. "Pensamos, no momento em que muitas pessoas têm evitado o consumo do açúcar, por que não oferecer o açúcar em sua forma mais natural e saudável possível?", destaca Ernest Saraiva.



Combinando a embalagem feita de um mix de plásticos com o processo de sanitização, higienização, fechamento a vácuo e tratamento térmico, os empreendedores chegaram ao prazo de conservação de 30 dias. Para Saraiva, é a estabilidade ideal.



Outros desafios surgiram. A empresa precisava usar somente as variedades de cana apropriadas para o consumo. Para definir as melhores opções, mapearam fazendas e encontraram fornecedores adequados em um raio de 100 Km da capital paulista.



"Existe variedade de cana que é extremamente macia; quando você morde, ela se desfaz e não é agradável. No outro extremo tem a que é dura e seca, quase uma palha. Então, para oferecer um produto de qualidade, tivemos que procurar a planta ideal", destaca Saraiva.



O produto é oferecido em embalagens de 60 gramas, nos sabores natural, limão e abacaxi. A escolha das variações se deu por uma estratégia de venda. "Percebemos que seria difícil entrar no mercado com um único produto e mais sabores ajudariam a aumentar o interesse do consumidor. Escolhemos abacaxi e limão por já ser um hábito nas feiras misturar esses sucos no caldo", explica.



Comercialização



Entre as diferentes sessões dentro dos supermercados, foi a de frutas e legumes que abraçou o produto.



No final de 2015, os sócios fizeram um acordo para a comercialização da Cana Bacana na Casa Santa Luzia, empório sofisticado em São Paulo. Em março de 2016, assinaram contrato de licenciamento com a Maurício de Sousa Produções para uso da marca Turma da Mônica.



Atualmente a Cana Bacana está presente em mais de 100 lojas em São Paulo e região metropolitana. Entre elas, Pão de Açúcar, Walmart, Zaffari, Mambo, St Marchê, Eataly, Emporio Santa Maria, Varanda, Emporium SP, Mundo Verde e Mercado Natural.



O preço sugerido e praticado pelas redes gira em torno de R$ 5,00 a R$ 5,99 na versão Cana Bacana, e entre R$ 6,00 e R$ 6,99 a Cana Turma da Mônica.



Novidades



Entre os dias 28 e 29 de setembro, a Cana Bacana realiza seu primeiro embarque para Dubai. Os empreendedores vêm trabalhando a área de exportação há alguns meses e acreditam que o hemisfério norte vá abraçar a novidade.



Também estão desenvolvendo um equipamento para descascar a cana. "Hoje, como é artesanal, não consigo absorver grandes pedidos. Todas as máquinas que existem hoje no mercado servem para raspar ou são máquinas de moagem", diz Saraiva.



A expectativa é aumentar os ganhos tanto por conta da exportação quanto pela possibilidade de produzir cinco vezes mais com a nova máquina.



Outra meta é diminuir custos para que seja possível reduzir o preço de venda no varejo, tornando o produto mais acessível. A ideia com isso é ampliar o consumo, hoje concentrado nas classes A e B, e atingir também a classe C.



Novos produtos também fazem parte do plano de crescimento. Os mexedores de café, sucos, chás e caipirinhas - ainda não disponíveis do mercado - feitos de cana de açúcar 100% natural em breve estarão disponíveis.