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O cenário global segue positivo para o setor de celulose no País, que acumula avanço de 10,7% nas exportações em 2018. A perspectiva é que o aumento da demanda por papel mantenha a oferta apertada.

“A demanda mundial está sendo extremamente boa. Não vemos perspectiva de redução no 4º trimestre, pelo contrário, vai haver um aumento da capacidade de produção de papel em 5,1 milhões de toneladas”, declarou o diretor comercial da Fibria, Henri Philippe Van Keer, em teleconferência a jornalistas.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostram que de janeiro a setembro, foram exportados 11,1 milhões de toneladas. A produção também cresceu no período (10%), atingindo 15,8 milhões de toneladas fabricadas em 2018.

O principal destino das exportações é a China, que aumentou em 40,7% o consumo sobre o acumulado de 2017. Esse movimento vem sustentando uma trajetória de valorização da celulose, que beneficia o resultado das empresas do setor. De acordo com a Fibria, houve crescimento de 22% no preço médio líquido, em dólar, da celulose. “Continuamos com uma perspectiva positiva de médio prazo, pensando em 2019. A China registrou um crescimento de PIB inferior aos últimos anos, mas ainda é muito significativo”, assinalou Van Keer.

Balanço da Fibria

Na quarta-feira (24), a Fibria reportou um lucro líquido de US$ 1,535 bilhão no acumulado dos nove primeiros meses do ano. De acordo com a empresa, o 3º trimestre foi o melhor de sua história. “A Fibria registrou os melhores resultados desde sua criação. A receita líquida foi recorde, 105% acima do 3º trimestre de 2017. Há um bom desempenho da demanda, sobretudo da Ásia e da Europa”, destacou ontem o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, em teleconferência com a imprensa.

Na avaliação do analista da Upside Investor, Shin Lai, a empresa foi beneficiada pelos preços e volumes de venda e redução de custos da produção. “Houve ganhos não só nos volumes, mas nos preços de venda, que ajudaram nesse resultado positivo.”

A Fibria obteve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado 160% maior em relação ao 3° trimestre de 2017. A empresa também destacou a valorização de 25% do dólar frente ao real no período.

O sócio-diretor da Mesa Corporate Governance, Luiz Marcatti, entende que a Fibria aproveita o bom momento do mercado. “O preço global está em alta e, a produção, positiva. Isso ocorre em um momento em que os investidores estão observando um processo de fusão com a Suzano.”

Para Marcatti, o momento favorece essa consolidação das duas empresas. “O desafio é ganhar força para sair do processo de fusão melhor do que antes, aproveitar a onda positiva do mercado para se fortalecer. Caso a demanda caia, a empresa se mantém com os ganhos de sinergia. Se continuar positiva, a chance de crescimento é ainda maior.”

Durante a conferência, Castelli não informou novas informações sobre a negociação. “A Suzano está à frente desse processo de consolidação. Seguimos operando como uma empresa independente, gerindo nossas operações, até a conclusão do negócio.”

Sobre as perspectivas para 2019, o executivo crê que o ano será mais positivo para o Brasil. “O consenso é de que o País irá crescer de 2% a 2,5%. Quando há uma mudança de governo, qualquer que seja, ocorre um período de maior confiança, que precisa ser endereçada para reformas estruturais.” Castelli não vê o resultado eleitoral influenciando o setor. “A celulose não sofre tanto, nosso foco maior são as exportações”, destaca.