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A retomada de consumo interno e crescimento das exportações no 1º semestre trouxeram resultados do acima do esperado para fabricantes da cadeia de ônibus. Demanda represada e indicadores econômicos criam ambiente de forte recuperação.

“O mercado caiu muito entre 2014 e 2016, o crescimento nas vendas não ocorre por aumento de necessidade de transporte, houve uma parada no consumo pela crise. Esse ano a confiança melhorou com a inflação e juros controlados, além da situação cambial favorável às exportações”, avalia o vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America, José Ricardo Alouche. O grupo, proprietário da Volkswagen Caminhões e Ônibus, previa crescimento de 30% nos primeiros seis meses do ano, mas atingiu 50%. “Indica um potencial de recuperação antes do esperado”, aponta Alouche.

O executivo acredita que a retomada vai engrenar no 2º semestre. “Há perspectiva de grandes negócios para sustentar o patamar elevado. Existia um consumo represado, clientes que renovavam a frota após três anos de uso seguraram um pouco mais, esperando o momento ideal. Acredito que esse momento chegou.” Ele também projeta um 2019 melhor, com maior estabilidade política. “Essa perspectiva de 30% era considerada alta, mas o mercado brasileiro reage rápido.”

De acordo com dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta quarta-feira (01), o número acumulado de emplacamentos de ônibus nos primeiros sete meses do ano foi de 9.397, crescimento de 18,48% sobre igual período do ano passado.

O CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, revela que a fabricante de carrocerias também obteve resultados melhores do que o imaginado. “Muito acima da nossa expectativa de 10% a 20%, crescemos 39% no segmento ônibus.“ Ele atribuiu o resultado a necessidade renovação da frota. “Acredito que o segundo semestre será mais fraco e 2019 ainda traz dúvidas, por conta da falta de clareza de qual será a política econômica. Mas há espaço para crescer e esperamos seguir essa retomada.”

O diretor de negócio ônibus da Marcopolo, Rodrigo Pikussa, conta que a empresa passa por um plano de otimização de plantas. “Tínhamos seis fábricas, reduzimos para cinco e devemos desativar a unidade Planalto, em Caxias do Sul, no próximo ano. Teremos quatro plantas para ter maior eficiência e produtividade.”

O gerente de operações de vendas de ônibus da Scania, Alan Frizeiro, aponta que a melhora do consumo começou por uma série de motivos. “A Scania enxerga como fatores para a retomada do mercado as exigências de idade média da frota e da lei de acessibilidade para transporte público e soluções para combustíveis alternativos, para reduzir a emissão de poluentes. A demanda do operador brasileiro é por menor custo operacional, rentabilidade, conforto e segurança.” Frizeiro conta que no ano passado, a fabricante teve crescimento de 85% no segmento rodoviário em relação a 2016. “O ano passado já começou a trazer mudanças. Foi um aumento sobre uma base pequena, mas a Scania foi bem acima. Em 2018, esperamos crescer 32% nas vendas.”

Exportações

O diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, destaca que a empresa teve aumento de 40% nas vendas em 2018 e é a empresa que mais exporta ônibus no País. “Foram mais de 2.500 unidades exportadas nesse ano, incluindo um contrato de fornecimento de 500 ônibus para o transporte urbano da cidade de Lagos, na Nigéria.”

O presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, afirma que a empresa bateu recorde de embarques no 1º semestre. “A exportações cresceram significativamente e atingimos praticamente 2 mil unidades em 2018, um desempenho 71% superior ao ano passado.” O executivo conta que a companhia fechou negócios com Angola, Moçambique, Nigéria e África do Sul.

Pikussa declara que, pela primeira vez, a Marcopolo fez um lançamento simultâneo de um produto no Brasil e no México. “Temos que entender a demanda de cada mercado, para adequar a estratégia e alavancar as vendas no exterior. Exportamos para mais de 100 países e temos uma estrutura robusta para atender a necessidade, quando ela surgir.”