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Fornecedores de diferentes áreas do setor de petróleo e gás estão apostando suas fichas no Plangás - plano desenvolvido pela Petrobras que visa elevar a oferta de gás natural na Região Sudeste e diminuir a dependência do gás internacional - para elevar as encomendas em 2007. Dos US$ 8 bilhões reservados pela empresa para os próximos dois anos, 80% serão desembolsados em 2007, segundo previsões da companhia. Serão dois os motores dos investimentos: os projetos de exploração e produção, que vão consumir US$ 3,7 bilhões, e os projetos de infra-estrutura, como gasodutos e estações de compressão, aos quais serão destinados US$ 2,7 bilhões, totalizando US$ 6,4 bilhões nos próximos 12 meses. Os editais para as linhas flexíveis - equipamentos submarinos necessários para escoar a produção em alto-mar - saem em janeiro.

O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira, afirma que o Plangás deve contribuir para um crescimento de 5% a 10% da produção nacional de tubos em 2007. No ano passado, foi produzido 1,8 milhão de toneladas de tubos no País, do qual 25% foram destinados ao segmento de petróleo e gás. Uma das principais fabricantes de tubos do País, a Tenaris Confab, deve contratar 120 pessoas para sua unidade em Pindamonhangaba (SP), onde trabalham 1.080 pessoas. Os investimentos em todas as unidades do grupo, incluindo novos sistemas de informação e melhorias de processo, devem ficar entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões este ano, média dos anos anteriores. A fabricante de compressores alemã Neuman Esser inaugura em maio novo complexo industrial de 7,5 mil metros quadrados, em Belo Horizonte (MG), que vai dobrar a capacidade de atendimento da empresa. A expectativa da companhia é de crescer 100% com os pedidos deste ano.

O otimismo do empresariado está condicionado, no entanto, ao ritmo das encomendas. Há três anos, desde que a Petrobras começou a anunciar projetos bilionários, os fornecedores vêm se preparando para atendê-la, mas se queixam de que os pedidos não têm saído no tempo esperado.

"O que temos percebido é que há um descompasso entre os anúncios e o que ocorre de fato. Há um ano e meio estamos nos preparando para atender as encomendas da Petrobras e elas chegam em ritmo mais lento que o esperado", diz o diretor da Neuman para a América do Sul, Marcelo Veneroso. Com uma unidade industrial em Belo Horizonte desde 1997, a Neuman tinha em seus quadros apenas 28 funcionários há três anos, quando a taxa de ocupação da fábrica era de 40%. Hoje há 40 pessoas trabalhando, com perspectivas de chegar a 55, em 2007, e o índice de ocupação de inverteu: há 40% de ociosidade. "Se os pedidos chegarem, poderemos ocupar integralmente a nova fábrica, impulsionado as vendas em 100%", diz. O crescimento das vendas em 2006 foi de cerca de 25% em relação a 2005 e a nova fábrica consumiu R$ 7 milhões. Há bons motivos para acreditar que, desta vez, não haverá atrasos por parte da Petrobras. Primeiro porque a crise com a Bolívia fez acender o sinal amarelo de que é preciso diminuir a dependência do gás boliviano. Segundo porque para crescer os desejados 5% anuais, a demanda por energia vai aumentar e a contribuição das térmicas para a geração elétrica deve crescer. É delas que virá o maior crescimento de demanda de gás entre 2005 e 2011, segundo a Petrobras. O consumo por essas usinas aumentará de 7 milhões de metros cúbicos diários, em 2005, para 48,4 milhões de metros cúbicos por dia, em 2011, considerando a hipótese remota de que todas sejam despachadas ao mesmo tempo. Um crescimento de 580%, bem acima dos 55% de crescimento esperado do consumo industrial e dos 150% da rubrica 'outros'.

Mesmo que o crescimento seja modesto, a necessidade de oferta de gás e de infra-estrutura para escoá-lo já seria suficiente para animar os fornecedores. No cenário traçado pela Abitam, um crescimento de 2,4% ao ano nos próximos 15 anos exigiria a construção de 14 mil km de gasodutos, quase o dobro dos 18 mil km atuais. A média de quase mil km de duto por ano daria para encher a fábrica da Tenaris. A unidade tem capacidade de 500 mil toneladas de tubo por ano. De acordo com o diretor de negócios de tubos da empresa, Tulio Chipoletti, 80% da capacidade devem ser comprometidos com o setor de óleo e gás em 2007. "Temos perspectivas favoráveis que asseguram bom nível de atividade para este ano", afirma.

Cumprimento de prazo

Para não atrasar o cronograma do Plangás, a Petrobras está 'clonando' projetos já existentes, de modo a ter um mínimo possível de alteração nas especificações dos equipamentos encomendados. Na área de Exploração e Produção, que consumirá mais recursos em 2007, os projeto prioritários são a interligação do campo de Canapu (ES) com o FPSO - espécie de plataforma flutuante - do campo de Golfinho (ES), a ampliação da produção do campo de Merluza e Lagosta, na Bacia de Campos (RJ) e a entrada e operação de dois FPSOs, ambos na Bacia do Espírito Santo. Juntos, esses projetos vão adicionar 24 milhões de metros cúbicos diários de gás até 2008 na Região Sudeste, ampliando para 40 milhões de metros cúbicos de gás por dia a produção regional. Na área de infra-estrutura, o Gasene promete ser o mais disputado pelos fornecedores que serão subcontratados pelas empreiteiras vitoriosas nas licitações. O financiamento de R$ 1,3 bilhão para 2 trechos do gasoduto acaba de ser liberado.

O gerente de Planejamento de Gás da divisão de Exploração e Produção da Petrobras, Mauro Sant'Anna, um dos envolvidos no Plangás, afirma que dois serão os fatores considerados na contratação dos fornecedores para o plano: preços competitivos e prazo de entrega. "O gás nacional compete com o gás natural liquefeito (GNL). Para que possamos incrementar a produção no Brasil, é preciso que o preço do gás aqui seja menor que o do importado", diz Sant'Anna.

Entrave tributário

Ciente dessa restrição, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo e Gás (Onip) busca formas de desatar os nós do setor. Um deles é a questão tributária. A entidade formou um grupo de trabalho com integrantes do Ministério da Fazenda para estudar uma solução a curto prazo. "Não tempos propostas fechadas, buscaremos uma solução juntos", disse o superintendente da Onip, Alfredo Renault, que aponta, além do Plangás, a contratação dos 26 navios da licitação da Transpetro como o projeto de maior vulto para 2007.

A principal reivindicação da cadeia fornecedora é o tratamento igualitário entre fornecedores nacionais e internacionais. Hoje, a Petrobras pode contratar projetos por meio de sua subsidiária na Holanda, a Petrobras Netherlands. Assim, quando as empresas contratadas entregam seus produtos, é como se tivessem sido exportados. Essa exportação fictícia assegura às companhias contratadas o uso do sistema de drawback, segundo o qual os bens e serviços importados para fabricação de produtos voltados para exportação gozam de desoneração fiscal. Com isenção, peças compradas no exterior ficam mais baratas que as compradas no Brasil, levando as empresas contratadas pela Petrobras a contratar fornecedores no exterior. Para que os fornecedores se tornem mais competitivos, a entidade inicia em 2007 projeto com a Associação de Promoção à Exportação para internacionalizar a cadeia produtiva brasileira.

Fornecedores de diferentes áreas do setor de petróleo e gás estão apostando suas fichas no Plangás - plano desenvolvido pela Petrobras que visa elevar a oferta de gás natural na Região Sudeste e diminuir a dependência do gás internacional - para elevar as encomendas em 2007. Dos US$ 8 bilhões reservados pela empresa para os próximos dois anos, 80% serão desembolsados em 2007, segundo previsões da companhia. Serão dois os motores dos investimentos: os projetos de exploração e produção, que vão consumir US$ 3,7 bilhões, e os projetos de infra-estrutura, como gasodutos e estações de compressão, aos quais serão destinados US$ 2,7 bilhões, totalizando US$ 6,4 bilhões nos próximos 12 meses. Os editais para as linhas flexíveis - equipamentos submarinos - saem em janeiro.

O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira, afirma que o Plangás deve contribuir para um crescimento de 5% a 10% da produção nacional de tubos em 2007. No ano passado, foi produzido 1,8 milhão de toneladas de tubos no País, do qual 25% foram destinados ao segmento de petróleo e gás.

Além do Plangás, a contratação dos 26 navios da licitação da Transpetro é apontada como o projeto de maior vulto para o próximo ano por Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo e Gás (Onip).