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A escalada contínua dos preços do petróleo deve continuar favorecendo o Brasil. Com a perspectiva de patamares ainda mais elevados que o atual, de cerca de US$ 80 o barril, o País deve se beneficiar diante do crescimento da produção na camada pré-sal.

Analistas pontuam, entretanto, que os benefícios só se manterão se a economia brasileira não apresentar uma retomada muito contundente, já que o Brasil ainda é bastante dependente da importação de combustíveis, o que poderia desequilibrar a balança comercial. A Petrobras optou inclusive por ajustar quinzenalmente os preços da gasolina nas refinarias em relação às cotações internacionais diante dos aumentos sucessivos no mercado global.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a arrecadação de royalties e participações especiais no setor de óleo e gás cresceu mais de 60% de janeiro a agosto deste ano frente à escalada do barril e do dólar. “Não esperávamos esse patamar atual de preços”, conta a analista da Tendências Consultoria, Bárbara Fernandes.

Nesta semana, as cotações da commodity apresentaram um súbito crescimento diante da decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter seus planos de produção, mesmo com o pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para o grupo elevar os níveis produzidos. “A Opep acompanha com muito critério a oferta e a demanda global. E neste cenário, o Brasil vem aumentando consideravelmente a produção”, afirma o gerente de research e economista da Deloitte, Giovanni Cordeiro.

O secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, disse na terça-feira (25) em reunião do cartel que a demanda global de petróleo deve ter um crescimento “robusto” de 33% entre 2015 e 2040, impulsionado predominantemente por países em desenvolvimento.

Ele acrescentou que os produtores de fora do grupo devem elevar a oferta global em mais de 9 milhões de barris por dia (bpd) entre 2017 e 2027. “O principal impulsionador será os EUA, mas também há adições significativas do Canadá, Brasil e Cazaquistão”, afirmou Barkindo na Espanha.

Ascensão

O que era inimaginável há apenas algumas semanas já se torna uma possibilidade: o preço do Brent se aproximando da casa dos US$ 100, o que não ocorria desde meados de 2013. “Principalmente as atitudes intempestivas de Donald Trump estão gerando um cenário de incertezas no mundo, o que impacta diretamente os preços de commodities como o petróleo”, afirma Cordeiro.

O cenário da Tendências não contempla o barril de petróleo a US$ 100, porém, já prevê uma subida mais relevante dos preços. “Com a iminente saída do Irã do mercado global, devido ao embargo norte-americano, haverá um corte significativo de oferta e consequente impacto nas cotações”, avalia Bárbara.

O mercado vê com apreensão a retirada do petróleo do Irã, terceiro maior produtor da Opep, de circulação diante do embargo imposto por Trump. Segundo estimativas da Tendências, a redução da oferta do país persa deve girar em torno de um milhão de bpd. “Trata-se de um corte significativo”, aponta. Em 2017, a produção iraniana ficou em 3,8 milhões de bpd.

Ela lembra que a data limite para que nações parem de fazer comércio com o Irã é o próximo dia 04 de novembro. “Quando Trump anunciou a medida, países da Europa afirmaram que não havia problema em continuar negociando com o Irã. Mas já temos visto nações europeias reduzirem as importações de óleo iraniano”, relata a analista.

A projeção da Tendências se mantém em US$ 72,57 para a média do Brent neste ano, mas Bárbara não descarta alterações. “Temos que esperar os efeitos das sanções ao Irã.”