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São Paulo - Em um mercado competitivo e repleto de novidades, fabricantes de doces apostam em balas com sabores inusitados para incrementar as vendas, ao passo que no segmento de chocolates a redução do poder de compra do brasileiro e o aumento de custos vêm impactando os negócios.

De acordo com os últimos dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e derivados (Abicab), no primeiro quadrimestre deste ano a produção de balas e gomas de mascar atingiu 110.3 mil toneladas, alta de 1,1% ante igual período de 2015.

Já a produção de chocolates pegou a contramão. O segmento registra uma queda de 0,5% nos três primeiros meses deste ano sobre o mesmo trimestre de 2015, para 128,3 mil toneladas.

"Com menor poder de compra é natural que as pessoas consumam apenas os itens mais básicos e o chocolate acabe ficando de fora por conta de seu preço mais elevado em relação às balas, por exemplo", disse ao DCI o vice-presidente da entidade, Ubiracy Fonseca.

Ele observa que a inovação tem sido essencial para o segmento de balas e gomas, em um momento de desaceleração do consumo interno. "Desde o ano passado o setor vem reforçando esse trabalho de sair do lugar comum [sabores já conhecidos] para ganhar novos consumidores", revela.

A Arcor - líder no segmento guloseimas (bala, pirulito, caramelo e chiclete), segundo a Consultoria Euromonitor - vê na diversificação de sabores e nos preços baixos os maiores atrativos, de acordo com o gerente de marketing da empresa, Anderson Freire.

"Todos os anos, lançamos cerca de 30 guloseimas em busca desse público que aguarda novidades e por isso trouxemos agora a linha voltada para sobremesas", explica.

A Arcor ampliou, recentemente, a linha de balas Butter Toffees, com os sabores iogurte grego tradicional e de frutas vermelhas. A fabricante detém 81% de market share nessa categoria da Butter Toffees. "São itens de recompensa", comenta ele, destacando que muitas vezes o consumo substitui uma sobremesa.

Freire conta que o segmento de guloseimas representa hoje 30% do faturamento da empresa, que também produz chocolates e biscoitos. No ano passado, o segmento teve receita bruta de R$ 270 milhões.

Na visão do gerente de marketing da Florestal Alimentos, Adriano Orso, a ampliação do portfólio pode "dinamizar o mercado". Dona de mais de 130 itens apenas no segmento balas, depois de comprar em 2004 a Boavistense, a fabricante gaúcha lançou neste ano a versão gourmet do confeito de café Brazilian Coffee, em opções trufada com notas de chocolate ou com raspas de laranja. Além das balas de goma nos sabores brigadeiro e beijinho e os drop's de bebidas como vodca e caipirinha.

"É um desafio lançar produtos com essa proposta, pois precisamos alcançar o sabor mais fiel possível. Observamos que já era uma tendência em outros países e decidimos trazer para cá com foco no público jovem. Faz bem para a marca rechear o portfólio com propostas ousadas", diz Orso.

Desafios

Enquanto o segmento de balas e gomas encontra alternativas para avançar, o de chocolates ainda deve levar algum tempo para se recuperar, avalia o diretor de marketing da Mars, que detém marcas como Twix e M&M's, Oduvaldo Viana.

Ele acredita que o mercado brasileiro tem um forte potencial de crescimento, uma vez que o consumo per capita de chocolate é de apenas 2,8 quilos. Na Europa supera 4 quilos.

"Vejo o cenário como promissor no longo prazo, mas ainda veremos uma tendência negativa nos próximos meses. Trata-se de uma categoria de compras de impulso e um item que não está na cesta de compras do consumidor", avalia.

Viana estima queda de 5% no mercado de chocolates este ano sobre 2015. Mesmo assim a empresa deve investir R$ 500 milhões na categoria até 2020.

Procurada a Mondelez não pode atender a reportagem. No entanto, em balanço trimestral a companhia aponta uma queda de 35% nas vendas da América Latina, cujo Brasil é um dos maiores mercados com as marcas Diamante Negro, Sonho de Valsa e Laka.