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Com desempenho ligeiramente acima do esperado para 2018, o setor de máquinas de construção aguarda uma definição política e pelo retorno de grandes obras para crescer de forma vigorosa. O mercado total deve atingir 10,5 mil máquinas neste ano, bem abaixo do recorde de 2013.

“Começamos o ano pessimistas, após o nível fraco de 2017, que foi de cerca de 8 mil máquinas. Para se ter uma ideia, em 2013 o mercado chegou a 30 mil unidades”, conta o vice-presidente da Case Construction para América Latina, Roque Reis.

Segundo ele, a expectativa era de estabilidade para este ano, mas as projeções foram revisadas três vezes pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). Para Reis, o resultado se deve a um número superior de vendas advindas de licitações públicas. “Foram cerca de 2 mil licitações, o que não é tão comum em ano eleitoral.”

Após viver um momento de grande aquecimento em meados de 2011, o setor decaiu diante da crise econômica que atingiu o País desde 2014. “O mercado não é mais como antigamente. A infraestrutura parou, as grandes obras não estão ocorrendo. O setor está na espera de definições políticas”, avalia Reis.

O executivo afirma que a renovação da frota está ajudando a movimentar o mercado, com importante participação do agronegócio. “O real se desvalorizou ante o dólar, mas o preço das máquinas não subiu. Para quem for investir, o momento é vantajoso. Algumas vendas que fizemos foram trocas de equipamentos ainda bons”, esclarece.

Apesar disso, ele estima que cerca de 40% da frota nacional está ociosa. “Ainda vai demorar um pouco para começar os investimentos mais pesados. Quando ocorre uma mudança de partido político no poder, leva algum tempo para coordenar as ações e obras. O primeiro semestre deverá ser mais parado.”

Com o mercado interno pouco movimentado e a desvalorização cambial, as empresas do setor têm se voltado para exportações. “Nossos concorrentes retomaram embarques de forma mais intensa. Nós exportamos para mercados como Rússia, Índia e América Latina”, conta Reis.

Ele afirma que após movimentos de ajustes em 2017, a mão-de-obra foi estabilizada na fábrica da Case Construction em Sorocaba (SP). “O crescimento veio no patamar próximo ao esperado. Com isso, não houve necessidade de demissões ou contratações.”

Máquinas agrícolas

O vice-presidente da Case IH América Latina, Mirco Romagnoli, diz que o mercado de máquinas agrícolas está acima da expectativa. “Está melhor que no ano passado. Varia pela commodity, mas cresce por volta de 10% a 15% na média. A previsão é de 40 mil tratores no Brasil neste ano.”

Embora o número seja inferior ao do melhor momento do setor, também em 2013, quando o patamar chegou por volta de 60 mil unidades, Romagnolli conta que isso decorre de circunstâncias especiais daquela ocasião. “Foi um ano espetacular, mas um pouco artificial. O governo disponibilizou uma linha de crédito muito barata e todo mundo aproveitou.”

Além disso, ele avalia que há uma mudança de método dos produtores. “A tendência atual são máquinas maiores e em menor quantidade”. Ele conta que esses equipamentos de maior porte são extremamente caros e importados dos EUA.

Na terça-feira (25), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou que, em agosto, houve alta de 38,8% na importação de máquinas agrícolas. “São modelos que o Brasil ainda não fabrica. Mas os fabricantes locais já estão se preparando para produzí-los”, disse o presidente do conselho de administração da Abimaq, João Carlos Marchesan. Esse tipo de produto representa apenas 3,8% das vendas locais.

Romagnolli afirma que esse tipo de investimento decorre da necessidade de redução da frota e dos custos. “São tratores e colheitadeiras de milhões de dólares. Há poucos anos, importávamos por volta de 10 unidades. Agora o mercado subiu para 150.” Ele diz que se essa tendência se mantiver, as fabricantes passarão a produzir no Brasil. “O País atrai esse tipo de investimento, com agricultura em larga escala, falta de mão-de-obra qualificada e atividade produtiva o ano todo. O potencial é enorme.” /*O repórter viajou a convite da CNH.