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São Paulo - A Klabin descarta reajustes consistentes nos preços do papelão ondulado ao menos pelos próximos dois anos. Isso porque a atividade industrial no Brasil continua muito baixa quando comparada ao pico registrado em 2013.

"O que enxergamos, num cenário otimista, é uma reposição nos preços do papelão ondulado mais forte a partir de 2019 ou 2020", disse o diretor-geral da companhia, Cristiano Teixeira, na sexta-feira (28), durante teleconferência com analistas. Segundo ele, os níveis de serviços prestados atualmente aos principais clientes vêm assegurando ao menos o repasse dos índices de preços de seus produtos. "Papelão ondulado é um produto difícil de colocar preço porque é um mercado muito pulverizado".

O executivo informou que a Klabin detém cerca de 18% a 19% de fatia de mercado, praticamente o dobro da segunda colocada. No entanto, a maior parte das empresas que atuam no setor contam com participações abaixo de 1%. Teixeira ressaltou ainda que o nível de ociosidade, desta indústria, está muito alto, dificultando reajustes pela capacidade de aumento da oferta.

Positivo

No entanto, mesmo diante deste cenário, a Klabin vem obtendo uma performance acima da concorrência. "Não quero parecer um estranho no ninho, mas estamos com todas as nossas máquinas e capacidade tomadas", observou o executivo. De acordo com ele, as principais marcas globais que atuam no Brasil são atendidas pela companhia, garantindo uma "estabilidade de consumo". "Estamos muito satisfeitos com os volumes de caixas no Brasil", acrescentou Cristiano Teixeira.

Dados da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) apontam um crescimento do mercado de 3,2%, acumulado até o mês de junho. "A Klabin vem obtendo uma alta substancialmente acima do mercado", comentou, sem detalhar, porém, os porcentuais, ressaltando que parte deste avanço foi impulsionado por recentes aquisições, como da Embalplan e Hevi Embalagens, no final do ano passado.

De forma geral, os negócios de conversão, que incluem papelão ondulados e sacos industriais, cresceram 8% em termos de volume no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto em valores avançou 10%, para R$ 647 milhões. No segmento de sacos industriais, a Klabin vem direcionando um volume cada maior para novos mercados, como de fertilizantes, alimentos e café - em alternativa à área de cimentos, que sofre com a crise enfrentada pelo mercado imobiliário.

No segundo trimestre, a receita líquida da Klabin cresceu 6%, para R$ 1,984 bilhão, com o mercado interno representando 61% deste faturamento. Os negócios de celulose avançaram 29% no período, para R$ 582 milhões, impulsionados pela forte demanda da Ásia.