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A valorização do dólar frente ao real, que favoreceu o crescimento das exportações de carne bovina em 2018, também pesou para que dois dos maiores frigoríficos brasileiros registrassem prejuízos no terceiro trimestre do ano.

A retração é resultado do impacto da moeda nas dívidas das empresas. O Minerva reportou prejuízo líquido de R$ 132 milhões, ante lucro de R$ 85 milhões no mesmo período do ano passado. “Se fizermos ajustes com efeitos da variação cambial e do hedge – lembrando que temos quase 50% da dívida protegida – o resultado teria sido quase R$ 80 milhões positivo”, disse em teleconferência com analistas o diretor financeiro da empresa, Edson Ticle. A alavancagem (relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda ajustado) da empresa no 3º trimestre deste ano ficou em 4,9 vezes, ante 4,2 vezes no mesmo período de 2017. O resultado está próximo do 2º trimestre, de 5 vezes.

Por outro lado, a valorização da moeda norte-americana contribuiu para que a receita líquida crescesse 26,9% no 3º trimestre ante o mesmo período de 2017, a R$ 4,3 bilhões.

A companhia respondeu por 21% do market share das exportações na América do Sul nos últimos 12 meses encerrados em setembro. Considerando apenas a unidade de negócios brasileira, Ásia e Oriente Médio responderam por 54% dos embarques no período.

Marfrig

Já o Marfrig registrou prejuízo de R$ 126 milhões de julho a setembro, embora o resultado seja 28% menor que o apurado em igual intervalo de 2017. A dívida líquida encerrou setembro deste ano em US$ 4,2 bilhões. Mas com a conclusão da venda da Keystone, ainda em 2018, a empresa espera reduzir a dívida em 49%. Considerando esse cenário, a alavancagem é de 2,5 vezes. A Marfrig teve receita líquida recorde de R$ 11 bilhões no 3º trimestre, alta de 21% sobre um ano antes, devido ao aumento de vendas e impacto positivo do câmbio.