A indústria de equipamentos para tratamentos estéticos e academias aposta em um 2018 de recuperação diante da expectativa de crescimento da economia e da redução do desemprego. O setor também negocia a liberação de crédito do BNDES para aquisição de parte desses bens.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Ginástica da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Ricardo Castiglioni, desde a segunda quinzena de novembro é possível ver uma retomada gradual do segmento. “As vendas não vão voltar aos patamares de quatro ou cinco anos atrás, mas estão crescendo”, afirma o dirigente. O segmento conta com aproximadamente 120 empresas no País.

Nos últimos dias, representantes do setor negociaram a liberação do financiamento do BNDES para bens de capital (Finame) à aquisição de equipamentos de ginástica. Antes, a linha só estava disponível para produtos cardiovasculares. “Na medida em que os clientes tiverem condições adequadas de pagamento, eles vão se animar a fazer novas compras”, estima Castiglioni.

Segundo informou a Abimaq ao DCI, o BNDES aprovou ontem a venda de equipamentos de ginástica via Finame, que tem condições mais atrativas em relação aos bancos comerciais. “Esse crédito nos dará fôlego depois de um ano em que tivemos muita inadimplência”, relata.

O dirigente afirma que o Finame pode fazer a diferença para que os fabricantes se saiam bem diante das concorrentes chinesas, italianas e norte-americanas, que conseguem oferecer condições mais atrativas aos clientes.

Beleza

Entre as empresas de equipamentos para tratamentos estéticos o clima também é de otimismo. De acordo com o diretor comercial da Adoxy, Thiago Gonzalez, o setor de beleza deverá movimentar mais de R$ 50 bilhões a partir deste ano, no Brasil. “Esse mercado se manteve estável nos últimos anos, mas deve voltar a crescer entre 8% e 12% em 2018”, projeta.

A Adoxy, com sede em Petrópolis (RJ) e filial em Votorantim (SP), fabrica aparelhos para criolipólise e criofrequência – procedimentos para redução de gordura localizada – e registrou crescimento de 35% em 2016 e de 15% em 2017. “Este é um mercado competitivo, mas que tem muito espaço para crescer”, afirma o empresário, que projeta crescimento de 60% em faturamento neste ano com o lançamento de quatro novas tecnologias. A Adoxy deve passar a produzir os aparelhos no Brasil a partir de 2019. Atualmente, os produtos são fabricados na China. O investimento previsto com essa mudança supera os R$ 15 milhões e envolve principalmente a ampliação da área da unidade de Votorantim, no interior de São Paulo.

Assim que a produção passar a ser feita apenas no Brasil, a Adoxy pretende exportar para países da América Latina e também para Portugal. “Já estamos em negociação com empresas da Argentina e da Colômbia. O Chile também está em nosso radar”, revela.

Além da reforma trabalhista, outro fator que estimulou a mudança foi a redução da tributação para o segmento no País. O imposto sobre o produto importado representa 70% do valor de venda do equipamento. “Fizemos as contas e teremos uma economia de 17% se produzirmos aqui.”

O valor de venda desses equipamentos no Brasil oscila entre R$ 139 mil e R$ 180 mil. “Esse é um investimento relativamente caro para uma estética, mas que compensa para as empresas que atuam na locação desses equipamentos para as clínicas”, afirma Gonzalez. O payback, segundo ele, é de até oito meses e o lucro líquido no mês pode chegar a R$ 15 mil.