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A indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos pode ter um avanço de apenas 1,5% em 2018, após modesto crescimento no ano passado. Novamente, o desempenho não deve compensar as perdas registradas em 2015 e 2016.

“O resultado de 2017 não foi suficiente para neutralizar as perdas do biênio 2015/16. Neste ano, a perspectiva de crescimento é de 1,5% a 2%, apesar de dificuldades como a greve dos caminhoneiros, tabelamento do frete e variação cambial. Há um esforço contínuo de toda a indústria para superar essas barreiras”, declarou o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio, em seminário nesta quinta-feira (23).

Para a líder de indústria de higiene e beleza do instituto de pesquisas Nielsen, Margareth Utimura, apesar da melhora econômica, o poder de compra ainda está reduzido. “Esse é o indicador que realmente afeta o consumidor. Além disso, observamos que, com a retomada, os hábitos de consumo não são os mesmo do período pré-crise.”

De acordo com levantamento apresentado pela Nielsen no evento, segmentos foram impactados de diferentes formas por estratégias do consumidor para equilibrar gastos. Enquanto as principais marcas de papel higiênico, tintura para cabelo e fralda infantil perderem espaço para produtos mais baratos, fabricantes líderes de protetor solar, escova de dentes e pós-xampu sobreviveram à crise e cresceram. “Isso demonstra que não existe fórmula única. Em um cenário tão complexo, é preciso entender as necessidades específicas do consumidor”, avalia Margareth, indicando que no momento de retomada, o consumidor reavalia as suas escolhas de marcas, tamanhos e canais, pensando no equilíbrio de suas finanças.

O diretor de negócios de Consumer Health da IQVIA, Rodrigo Kurata, conta que há uma tendência de atrelar o setor de cosmético a cuidados com a saúde. “Tendências demográficas e socioeconômicas direcionam o crescimento futuro com foco em prevenção e bem-estar.”

Ele destaca fatores como envelhecimento da população e demanda por soluções naturais. “A indústria deve se adaptar a esse cenário para garantir crescimento. Nos últimos anos, observamos várias iniciativas de inovação e pesquisa para atender esse foco”, afirma Kurata, exemplificando com o lançamento de produtos com ingredientes naturais (green beauty) e para atividades específicas, como práticas esportivas ao ar livre.

Inovação

Outra estratégia necessária para o setor é inovação tecnológica de serviços, produtos e canais de vendas. “Existem marcas da indústria de beleza que usam a internet como canal exclusivo de venda ou para chegar a regiões onde não possuem presença física”, diz o analista sênior de pesquisa da Euromonitor, Elton Morimitsu. Conforme levantamento da consultoria, a perspectiva de crescimento do setor de beleza é de 5% em média nos próximos 5 anos. “Também observamos as farmácias ganhando espaço no Brasil, num movimento contrário em relação à tendência global”, acrescenta.

O diretor comercial da América Latina da Segmenta, Daniel Morimoto, destacou a importância da coleta de informações. “Os dados permitem maior valor agregado e melhor nível de personalização de produtos e serviços.” Como exemplo, ele aponta aplicativos que permitem uma leitura da pele para a fabricação customizada de maquiagem. “O aplicativo examina o cliente e leva informações como o nível de hidratação e tom da pele para a fábrica. O consumidor recebe por correio as bisnagas e produz uma maquiagem personalizada por meio de uma máquina”, explica Morimoto.