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A indústria espera se beneficiar de uma retomada de grandes obras a partir de 2019. Empresas e entidades acreditam que a troca de governo deve impulsionar investimentos em infraestrutura, uma área considerada como o principal gargalo do País.

“Dados do próprio Ministério do Planejamento mostram que há mais de duas mil obras paralisadas no País. Entendemos que a prioridade do governo dever ser a retomada da economia e a construção civil é uma cadeia que gera empregos rapidamente”, avalia o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Rodrigo Navarro.

De acordo com uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), pelo menos 2,8 mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão paralisadas. “São cerca de 500 de infraestrutura, incluindo aeroportos, ferrovias, mobilidade, portos e saneamento”, destaca Navarro. O dirigente ressalta que embora a perspectiva seja positiva, não significa que o impacto será imediato. “Temos um otimismo consciente de que se concluam essas obras. Esse cenário não vai trazer uma explosão de consumo instantânea, mas tende a ser melhor que 2018.”

De acordo com os indicadores da Abramat, a previsão do setor é de 1,5% de crescimento em 2018, o primeiro resultado positivo após três anos. “A indústria de materiais de construção tem três grandes destinatários: o varejo, que tem puxado o desempenho atual, a construção civil e as grandes obras de infraestrutura. Em 2019, certamente esses outros dois segmentos estarão mais fortes”, esclarece.

O gerente-executivo de infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Wagner Cardoso, acredita que o novo governo terá que manter programas de privatização. “Não há recursos, o valor necessário é muito maior que a União dispõe.”

Na visão de Cardoso, o País investe pouco em infraestrutura. “Atualmente, são cerca de R$ 132 bilhões, menos de 2% do PIB. Deveria ser ao menos o dobro disso.” Um estudo da CNI aponta que os aportes deveriam ser de no mínimo 4,15% do PIB, o equivalente a R$ 274 bilhões. “Aumentar o investimento privado em infraestrutura é o caminho que acreditamos ser o correto. Já estamos vendo privatizações de aeroportos, leilões de petróleo e gás e de distribuidoras de energia. A questão é continuar nessa rota.”

A entidade não tem uma projeção em relação à geração de empregos no País. “É muito complexo mensurar, são muitas variáveis que devem ser consideradas”, diz Cardoso.

Investimento prioritário

O gerente da divisão de automação industrial da Mitsubishi Electric, Fabiano Lourenço, acredita que os investimentos em infraestrutura vão ocorrer por necessidade do País. “Estava no programa de todos os principais candidatos à presidência. É um consenso.”

Ele aponta que a empresa pode se beneficiar pela demanda de soluções em automação voltadas para o setor de água e esgoto. “Atualmente, se usam bombas antigas. Há um viés de investimento nessa área, pensando em automação e controle da vazão.”

A empresa projeta dobrar seu faturamento e aumentar em 50% o número de funcionários até 2022. “O mercado de automação cresce de 2% a 3% mais do que o PIB. Temos um escopo grande de produtos para mercados de grande potencial. A indústria conteve muitos gastos nos últimos anos, devido à crise. Com a perspectiva de crescimento, esses aportes serão necessários”

Até setembro, a divisão de automação da empresa teve 40% de crescimento. “Entre 2012 a 2017, crescemos 300% no País, apostando em setores onde a queda não foi tão acentuada, como alimentos e bebidas”, assinala.

Lourenço revela que a Mitsubishi chegou a avaliar o fornecimento de soluções para o mercado de óleo e gás brasileiro. “A matriz entendeu que esse segmento ainda não estava maduro. Há um viés de médio prazo”, conta.