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São Paulo - O mercado de ar-condicionado voltou a reagir este ano, após uma queda acumulada de quase 60% no último biênio. O crescimento de 5%, porém, será puxado pontualmente pela área residencial, enquanto o comercial e o industrial seguirão patinando.

Para 2018, a expansão deverá atingir um patamar um pouco superior, de 10%, projeta a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). "A crise econômica afetou muito o Rio de Janeiro e o Nordeste, regiões que demandam aparelhos com maior potencial de refrigeração e onde as vendas cresceram muito no início da década pela expansão da renda", diz o presidente da Abrava, Arnaldo Basile. "Sem crédito e com a confiança em baixa, as vendas de aparelhos para o consumidor residencial despencaram [em 2015 e 2016]", ressalta.

A importância de Estados com temperaturas médias anuais mais altas contribuiu para a acelerada expansão do setor nos últimos anos.

A indústria mede seu crescimento pelo total de Toneladas de Refrigeração (TR). Após atingir o pico de 6,5 milhões de TR comercializadas em 2014 (considerando residencial e refrigeração central), o setor recuou para 3,26 milhões de TR no ano passado. No entanto, a expectativa para 2017 é de inversão no sinal, com a indústria atingindo cerca de 3,42 milhões de TR, patamar que deve subir a 3,75 milhões no ano que vem.

Segundo Basile, a percepção de melhoria na economia vai puxar a retomada do setor, mas concentrada, principalmente, no residencial. "Ao contrário de uma nova indústria ou um novo shopping, que precisam de alguns anos para a maturação do investimento e a consequente compra dos equipamentos de ar condicionado, para o consumidor comum é mais fácil voltar às compras, ainda mais porque muita gente já adiou a aquisição nos últimos tempos", diz.

O consultor de relações institucionais e novos negócios da Midea Carrier, Toshio Murakami, acrescenta que o tombo recente está relacionado, sobretudo, à paralisia do setor da construção civil. Para ele, diferentemente da área de geladeiras, o segmento de ar-condicionado está longe da saturação. "O índice de penetração está entre 18% e 20%, bem abaixo de outros países, como a China, que é de 40%".

Mesmo com as melhores perspectivas para o segmento residencial, o pico de vendas de aparelhos de ar-condicionado split só deverá ser retomado entre quatro e cinco anos, avalia Murakami.

Segundo a Abrava, o recorde histórico de vendas de aparelho split, que concentra mais de 70% do mercado, foi em 2014, com 4,40 milhões de unidades. Em 2013, foram 3,5 milhões de aparelhos vendidos.

O gerente de produtos da Febrava (feira internacional do setor, que começa hoje e segue até o dia 15 de setembro), Ivan Romão, observa que o setor evoluiu muito nos últimos anos, acompanhando a expansão econômica. "Quando o PIB cresce 3%, a área se expande até três vezes. Estamos muito correlacionados à construção e à infraestrutura, assim como à expansão da indústria, do varejo e dos shopping centers, que puxam a demanda pela refrigeração das novas áreas", explica. Para tentar conquistar uma fatia das novas vendas, as empresas vêm apostando em aparelhos que agreguem mais utilidades, como os chamados multi split, que se utilizam de um condensador para a refrigeração de até cinco ambientes, sem a necessidade de uma central tradicional, que ocupe uma grande espaço.

Dentre os segmentos comerciais, há um que vem se destacando positivamente: o de refrigeração para o varejo. Segundo o gerente de vendas da Danfoss para o segmento de food retail, Daniel Marcucci, pequenas padarias e lojas com menores áreas de vendas voltaram a demandar por freezers, diante da volta do consumo de alimentos. "Para se adiantar, as varejistas estão renovando seus equipamentos com aparelhos que consomem até 40% menos energia", conta.