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(Texto atualizado em 12/03 para correção de informação: no terceiro parágrafo, o correto é "totalizados" e não "criados", como informado anteriormente. Segue abaixo a íntegra corrigida.)

A indústria de calçados espera um crescimento moderado para 2018. O setor acredita na manutenção do ritmo de recuperação apresentado no ano passado, mas vê o consumidor cauteloso e o impacto negativo do câmbio nas exportações.

“A demanda do mercado ainda está deprimida. Tivemos uma reação tímida por conta das festas de final de ano, mas depois houve queda”, afirma o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção anual de calçados cresceu 2,7% em 2017. No período, foram totalizados 278,84 mil postos de trabalho, queda de 2,2% em relação a 2016.

“Temos uma perspectiva bem melhor do que no ano passado e infinitamente superior a 2016”, diz Edgard Mingoni, diretor da Agile, empresa parceira da Dow no setor de calçados. “Ainda estamos em meio a uma crise, mas me parece mais política do que econômica. Havia pouca esperança para investir e contratar, mas em 2017 isso começou a melhorar.”

Em entrevista ao DCI, o presidente da Vulcabras Azaleia, Pedro Bartelle, confirmou que o mercado em geral está mais cauteloso, uma vez que a economia ainda não atingiu o ritmo desejado. “Para nós, entretanto, há otimismo. Estamos batendo as nossas metas, especialmente com a Olympikus”, comemora.

Na divulgação de seu balanço anual, a Grendene reportou avanço do lucro líquido de 4,2% em 2017. “Foi um resultado ligeiramente abaixo do esperado, mas considerado bom pelas nossas metas de longo prazo e as turbulências enfrentadas pelo País”, declarou o diretor financeiro e de relações com investidores da Grendene, Francisco Schmidt, em conferência para jornalistas. “Para a receita crescer, as condições do mercado deveriam ser muito melhores do que as esperadas para 2018. Projetamos alguma recuperação no Brasil, mas não aos patamares de 2013 já neste ano. Esperamos aumento do consumo e juros bastante baixos, o que nos trará crescimento no resultado operacional”, complementa.

Em relação às exportações, a indústria calçadista fechou 2017 com crescimento de 9,3% em faturamento e de 1,2% no volume de pares. De acordo com a Abicalçados, os principais destinos dos produtos brasileiros são Estados Unidos, Argentina, França e Bolívia. Para o presidente-executivo da entidade, os embarques têm sofrido devido ao impacto do câmbio. “O dólar está desvalorizado em relação ao real e não permite a formação de preços competitivos”, pondera.

Schmidt aponta que o crescimento das exportações se dá sobre uma base muito fraca, de 2016. “No período, havia vários países passando por recessões econômicas, especialmente na América Latina”.

Ele também afirma que as exportações foram afetadas pelo fim do Programa de Incentivo às Atividades Portuárias e Industriais (Proapi). Extinto em março do ano passado pelo governo do Ceará, beneficiou exportação de couro e calçados.

Incertezas políticas

A insegurança diante de um ano eleitoral contribui para as expectativas cautelosas do setor. “De um modo geral, a instabilidade é um grande problema para o planejamento de qualquer empresa. Há empreendimentos que deixam de investir”, aponta Bartelle.

Segundo Klein, o setor tem a expectativa de que o Brasil tenha uma progressão positiva e mais acelerada das reformas estruturais e nos ajustes do governo. “Isso permitiria que se transfira para a economia recursos para o crescimento”, analisa o dirigente.

Para o presidente-executivo da Abicalçados, são necessários investimentos em infraestrutura e um ajuste fiscal. “A carga tributária é muito alta no País. Quem mais sofre é a indústria de transformação, por conta do largo aspecto da cadeia produtiva. A produção primária, como o agronegócio, não recebe o mesmo impacto”, observa Klein.