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São Paulo - Quatro anos depois de sua entrada no País, a Mexichem Brasil, subsidiária do grupo mexicano de empresas químicas Mexichem e detentora das marcas Amanco, Plastubo, Bidim e Doutores da Construção, prepara-se para entrar em uma nova fase em terras brasileiras. A companhia unificou a administração das quatro empresas que compõem o grupo e contratou um estudo para projetar a demanda em um horizonte de cinco anos e, com esses dados em mãos, orientar seus investimentos nesse período. Um dos objetivos é ultrapassar sua maior concorrente e líder de mercado, Tigre, detentora de 41% de participação sobre as vendas totais do segmento no País.

Segundo a presidente da Mexichem Brasil, Marise Barroso, a decisão pela unificação das empresas se dará apenas em nível administrativo. As marcas comerciais do grupo continuarão com suas estratégias e seu modo de atuar no mercado por estarem situadas em segmentos de consumo diferentes.

"Devemos concluir o estudo com a consultoria até setembro. Com isso teremos a projeção de crescimento nos próximos cinco anos para direcionarmos os produtos que iremos fabricar no País", contou a executiva, em entrevista ao DCI. Ela acrescenta que essas informações serão utilizadas para readequar as fábricas, fator que pode incluir a transferência de máquinas de uma planta para outra.

Essa reorganização passa por um outro fator que condiciona a competitividade das empresas: frete. De acordo com a presidente do grupo, este é um ponto importante do custo, pois, se há necessidade de transportar o produto por mais de 400 quilômetros, a companhia perde margem de lucro, em razão do volume dos tubos, problema este que não ocorre com as conexões. Por este motivo, praticamente 100% da produção da empresa ficam no Brasil.

De um faturamento total de R$ 945 milhões no Brasil em 2010, a Amanco é o carro-chefe da companhia: com 76,6% das vendas do grupo, tem presença no que é chamado mercado de marcas e tem justamente a Tigre como única concorrente; juntas respondem por 68% das vendas de tubos e conexões para construção predial. A Plastubo é uma linha cujo portfólio é mais geral e atende à parcela de 32% do mercado que consomem o produto de acordo com o preço, segmento da maior parte dos fabricantes nacionais.

"Estas duas marcas atendem a públicos diferentes; o que estamos fazendo é unificar a operação em uma só, pois atualmente são três balanços, três orçamentos e três Ebitdas diferentes", explicou. "Com essa medida, alcançamos maior flexibilidade quanto à presença de nossos produtos no Brasil, pois Amanco, Plastubo e Bidim estão em diferentes localidades do Brasil. Dessa forma, abre-se a possibilidade de ampliarmos nossa presença em todo o País", afirmou Marise.

A Mexichem possui atualmente nove unidades industriais. São quatro as que fabricam os produtos da Amanco: duas em Joinville (SC), uma em Sumaré (SP) e uma em Suape (PE). Já as fábricas da Plastubo estão localizadas em Anápolis (GO), Maceió (AL), Ribeirão das Neves e Uberlândia, ambas em Minas Gerais. A única unidade produtiva da Bidim fica em São José dos Campos (SP). Esta última fabrica produtos técnicos de contenção de erosão.

Expansão

O orçamento para investimentos da Mexichem no Brasil este ano está em R$ 148 milhões, um volume de recursos considerado alto pela executiva. Este montante está sendo utilizado para aumento da capacidade da empresa, que não revela quanto pode produzir no País. Desse valor, contou Marise, cerca de R$ 80 milhões serão utilizados para produtos de inovação, que respondem por 15% do faturamento da companhia; os 85% restantes, explicou, são de produtos regulares da marca.

Os negócios da Mexichem em tubos e conexões dividem-se atualmente em três áreas de atuação, a maior das quais é a de construção civil. No ano passado, 70% das vendas ficaram com este segmento, seja por fornecimento a grandes construtoras ou na venda a varejo. As obras de infraestrutura são a segunda fonte de receita da empresa, com 20% do total vendido. Em terceiro lugar aparece a atividade agrícola, com fornecimento de sistemas para irrigação.

Contudo, essa composição deve mudar em 2011. De acordo com a executiva da Mexichem, o setor de fornecimento para infraestrutura está paralisado. "Do que estimávamos para este ano, menos de 40% foi feito", revelou. Com isso, a perspectiva de crescimento da empresa está alinhada ao da construção civil. No ano passado a Amanco cresceu 18%, seguindo a média de duas a três vezes mais que o setor.

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