Publicado em

O Minerva Foods espera captar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão com a oferta inicial de ações (IPO) da subsidiária Athena Foods na bolsa de Santiago, no Chile. A companhia quer realizar o processo no segundo trimestre de 2019.

A Athena Foods é formada pelas unidades da companhia na Colômbia, Argentina, Uruguai e Paraguai. A intenção é negociar até 35% da subsidiária, que responde por 40% da receita do grupo.

De acordo com o CFO do Minerva, Edison Ticle, no mínimo R$ 1 bilhão deste total deverá ser destinado ao pagamento da dívida da empresa, que busca reduzir o índice de alavancagem (medido pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado).

Durante encontro com analistas e investidores ontem, em São Paulo, o executivo traçou três possíveis cenários para a redução da alavancagem – atualmente em 4,9 vezes – no final do próximo ano. Um deles prevê a redução do índice para 2,3 vezes a 3 vezes, considerando o valor captado via IPO e o aumento de capital em R$ 1 bilhão em uma conjuntura do dólar a R$ 3,90.

Ele também calculou que a empresa pode economizar R$ 100 milhões por ano com a monetização dos créditos de ICMS para pagamento de obrigações como o INSS.

A empresa planeja ainda reabrir uma de suas quatro unidades na Argentina caso o IPO seja bem sucedido. Atualmente, apenas a planta de Rosário está em funcionamento. “Dependendo do cenário da Argentina, optaremos pela unidade que atender melhor o mercado”, destacou o CEO da companhia, Fernando Galletti de Queiroz.

Brasil

Para o Brasil, Galletti projetou um cenário positivo na oferta de animais, que deve continuar nos próximos anos.

Ele ainda destacou a possibilidade de a China habilitar novas unidades de abate da companhia para exportação. Atualmente, apenas uma das sete plantas de abate da empresa em funcionamento no País está autorizada a embarcar para o mercado chinês.

“Fomos visitados na última sexta-feira [23] e fomos bem”, disse o COO Luis Ricardo Alves Luz, estimando que “pelo menos uma ou duas” unidades podem ser habilitadas. “Vamos aguardar o processo.”

Galletti ainda demonstrou otimismo com o crescimento dos mercados internos em países como Chile e Brasil.

Peste suína

Durante o evento, o sócio-diretor da MB Agro e membro do conselho do Minerva, Alexandre Mendonça de Barros, destacou que a crise sanitária causada pela peste suína africana poderá levar a China a ampliar as importações de carne.

“Até recentemente, a China nunca tinha passado por uma crise sanitária com a magnitude que pode ser essa. Me parece que vamos assistir ao país asiático ampliando as importações de carnes além de grãos”, disse.

Ele acrescentou que a doença não tem cura nem vacina, pressupõe a eliminação de rebanho e tem um número significativo de casos registrados no país asiático. “Isso pode trazer uma situação crescente para a exportação de carnes.”