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A indústria automotiva prevê crescimento acima de 10% em 2019, mas espera mais clareza sobre políticas econômicas do novo governo federal. A perspectiva de subsídios e as relações com o Mercosul ainda geram dúvidas.

“A previsão para o próximo ano é de crescermos dois dígitos. Temos confiança nesse número. Quanto ao novo governo, precisamos aguardar, ainda está sendo constituído. Vamos avaliar à medida que for divulgada qual será linha de mercado”, declarou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (07), em São Paulo.

A entidade divulgou os números de outubro, melhor mês em licenciamentos desde 2014 (254,7 mil unidades). “Tivemos resultados expressivos, mesmo sendo um período marcado pelas eleições. O crescimento acumulado do ano, de 15,3%, está até um pouco acima das projeções, que é de 13,7%”, complementou Megale.

O economista da Pezco, Yan Cattani, vê as projeções para esse ano e 2019 como factíveis. “A perspectiva para o ano que vem é positiva. O consumo das famílias vem crescendo e há uma melhora da concessão de crédito para veículos, que sofreu uma queda forte durante a crise.”

Em relação às possíveis políticas do governo Jair Bolsonaro para o setor, Cattani destaca que membros da equipe de transição são contra a continuidade de subsídios. “Existe essa possibilidade de ter uma ruptura em relação à política do atual governo.”

Sobre o Mercosul, Megale ressaltou a importância do bloco. “É importante para nós e acreditamos que deveríamos ter uma área de livre comércio para ganharmos relevância competitiva em outros lugares do mundo.” O dirigente minimizou as declarações de Paulo Guedes, assessor econômico do presidente eleito e provável ministro da Fazenda, de que o bloco “não será prioridade”. “Ainda não está muito clara qual será a política externa. Creio que há um direcionamento para reforçar relações com outras regiões, o que também é importante. Não acredito que haverá dificuldades.”

Cattani avalia a fala de Guedes da mesma forma. “O Brasil vai ampliar o comércio com outros lugares, não tem como desligar o Mercosul do dia pra noite, inclusive para a indústria automobilística.” Ele acredita que o momento delicado da Argentina deve prosseguir em 2019. “O país deve seguir em queda pelo menos nos próximos seis meses. Ano que vem tem eleição presidencial e existe novo risco de ruptura.”

Rota 2030

O texto principal da Medida Provisória 843/2018, que estabelece o Rota 2030, foi aprovado pelo Congresso ontem. A MP foi votada próxima ao prazo final de caducar, no próximo dia 16 de novembro. O texto segue para sanção do presidente da República, Michel Temer.

Na coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira, Megale demonstrava confiança de que a MP seria aprovada. “Há um consenso de que é bom para todos. Acreditamos no Rota 2030 porque não se trata de um plano de subsídios. É uma visão de organização que traz metas de eficiência e segurança. É saudável e traz previsibilidade.”

O programa estabelece incentivos ao setor automotivo, tais como créditos fiscais para empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento.