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A BRF registrou um prejuízo líquido de 1,574 bilhão de reais no segundo trimestre, ante prejuízo de 166 milhões de reais no mesmo período do ano passado, em meio a fortes perdas com operações da Polícia Federal envolvendo a empresa e a greve dos caminhoneiros.

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ficou negativo em 289 milhões de reais, ante resultado positivo de 575 milhões de reais no mesmo período do ano anterior.

Esse resultado contabiliza impacto negativo de 288 milhões de reais com as operações Carne Fraca e Trapaça da PF, decorrente de gastos com advogados, devolução de produtos e outros efeitos. Já a greve dos caminhoneiros no final de maio gerou perdas diretas de 75 milhões de reais com gastos logísticos adicionais, aumento da ociosidade e perda de estoques.

Desconsiderando itens extraordinários, o Ebitda ajustado recuou 47,1 por cento na comparação anual, para 373 milhões de reais, com margem Ebitda ajustado de 4,6 por cento ante 8,8 por cento no mesmo período de 2017. A diminuição no Ebitda ajustado refletiu a queda na margem bruta devido ao aumento dos preços dos grãos e maiores despesas gerais e administrativas, disse a empresa.

O lucro bruto caiu 55,4 por cento para 661 milhões de reais, com recuo de 10,4 pontos percentuais na margem bruta para 8,1 por cento.

A maior processadora de carne frango do país disse que o segundo trimestre foi marcado pela continuidade do aumento dos preços dos grãos, que deve gerar impactos mais evidentes no custo da ração animal a partir do terceiro trimestre. "Dito isso, a carne de frango brasileira perde competitividade no cenário de frango global."

A receita líquida consolidada totalizou 8,2 bilhões de reais, aumento de 1,9 por cento na comparação anual, devido ao aumento de 4 por cento nos volumes comercializados, principalmente no Brasil e no mercado Halal, mas com queda de 2 por cento no preço médio no período.

A melhor performance comercial no Brasil, decorrente do crescimento no volume de 8,6 por cento ano a ano, e a contínua recuperação de preços em dólar no mercado Halal compensaram o desempenho mais fraco do mercado internacional, dadas as restrições do mercado europeu à BRF, o mercado russo ainda fechado para a indústria brasileira e as tarifas antidumping aplicadas temporariamente pela China, disse a empresa.

O resultado financeiro também piorou, ficando negativo em 792 milhões de reais, ante 695 milhões de reais negativos no mesmo período do ano passado.

A BRF encerrou o trimestre com dívida líquida de 15,696 bilhões de reais, alta de 1,7 bilhão de reais ante a dívida ao término do primeiro trimestre.

A alavancagem medida pela relação dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 5,69 vezes, ante 4,44 vezes no trimestre imediatamente anterior e 4,79 vezes no segundo trimestre de 2017. A empresa, contudo, reforçou que busca reduzir esse índice para 4,35 vezes ao final de 2018 e para 3 vezes ao final de 2019.