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SÃO PAULO - O aumento da utilização da sucata ferrosa na produção de aço pode trazer importante economia de energia e água ao Brasil no momento em que se discute a possibilidade de racionamento diante da falta de chuvas no último verão. Os reservatórios das país, que garantem água e energia à população, estão nos níveis mais baixos da história. O processo de reciclagem da sucata, insumo que responde por cerca de 30% da produção de aço no país, reduz o consumo de energia pelas usinas siderúrgicas em cerca de 64% em comparação ao uso de outras matérias-primas, como o minério de ferro, por exemplo.



"Boa parte dos metais contidos na sucata já se encontra em forma metálica, requerendo pequena quantidade de energia para a fabricação de aço, ao contrário da produção primária, muito mais intensiva", afirma o presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata Ferrosa (Inesfa) Marcos Fonseca, que representa as empresas responsáveis por 47% de toda a sucata preparada no Brasil. "Cada tonelada de material reciclado poupa 1.140 quilos de minério de ferro e 154 quilos de carvão", diz Fonseca.



O mesmo acontece em relação à agua. "A maior parte da água utilizada nas usinas para o processo de reciclagem passa por sistemas fechados de resfriamento, sendo recirculada e consequentemente reaproveitada", segundo estudo do Inesfa.  "A racionalização e recirculação da água utilizada elimina a captação de água suficiente para abastecer 33% da população brasileira. Com a reciclagem, há uma redução de 70% no consumo de água", conforme a entidade.



Essa vantagem competitiva da sucata de ferro é uma das razões que tem levado o setor a defender junto ao governo incentivos à reciclagem do insumo. "O estímulo às empresas que comercializam e processam a sucata de ferro é benéfico à indústria de aço e a toda a sociedade", afirma Fonseca.  O Inesfa sugere maior participação do segmento no programa de renovação da frota nacional de veículos automotores em desuso. Com vasta experiência, as empresas associadas à entidade possuem expertise e equipamentos que processam o material ferroso de forma rápida, segura e ambientalmente correta, sendo totalmente capacitadas para atuar na reciclagem de veículos e comercializá-los para fins siderúrgicos e fundições. Atualmente, apenas 1,5% de toda a frota é reciclada no país, mas com uma política definida é possível fomentar o setor de sucata ferrosa, contribuindo para preservação do meio ambiente e estimular a reciclagem de veículos no Brasil.



Outro ponto importante é a desoneração dos tributos incidentes na folha de pagamento, que influenciam diretamente na empregabilidade do setor. As empresas recicladoras empregam de forma direta e indireta mais de 1,5 milhão de pessoas. O Inesfa defende que as empresas tenham acesso a linhas de créditos mais baratas para aquisição de novas máquinas e equipamentos, com recursos do BNDES, e que sejam desenvolvidas políticas públicas que auxiliem o desenvolvimento da atividade do comércio atacadista de sucata, como depreciações aceleradas de equipamentos, isenções de tributos etc.