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SÃO PAULO - Dados preliminares obtidos com exclusividade pelo DCI revelam que a produção interna de cal cresceu em torno de 10% em 2011 na comparação com o ano anterior, totalizando 8,5 milhões de toneladas. Os números são da Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC). O resultado foi puxado principalmente pelo segmento de cal virgem, que cresceu 15% na mesma base de comparação. O insumo é amplamente utilizado nas indústrias química e de papel e celulose, além de ser matéria-prima básica na produção do aço, este último representa 40% da demanda interna.



"Poderíamos dizer que 2011 foi um ano excelente para o setor", afirmou ao DCI o diretor comercial da Belocal, Carlos Gomes. O executivo da empresa do Grupo Lhoist, uma das líderes brasileiras na fabricação de cal virgem, afirma que a atividade siderúrgica está diretamente relacionada com a produção da empresa. "O mercado doméstico do aço está bastante aquecido", afirma Gomes.



O levantamento da ABPC revela que a produção interna de cal virgem atingiu 6,5 milhões de toneladas no ano passado. Desse total, 1,5 milhão de toneladas foram fabricadas pelas siderúrgicas em suas plantas para consumo próprio, a chamada produção cativa.



"Somos o quinto maior produtor de cal do mundo", afirma Mauro Seabra, secretário-executivo da ABPC. Ele destaca, no entanto, que os grandes players do mercado estão investindo em expansão por necessidade. "A capacidade de produção interna está no limite", diz. Já a fabricação de cal hidratada - utilizada na construção civil- ainda possui certa "folga".



O executivo da ABPC ressalta que esse tipo de cal vem perdendo mercado para os chamados plastificantes, similares no efeito, mas que não atendem as normas definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Prova disso é a ligeira queda da produção em 2011, que totalizou 2 milhões de toneladas ante os 2,09 milhões registrados no ano anterior. "Os produtos vendidos como cal hidratada não têm a mesma durabilidade", diz Seabra. Segundo a ABPC, cerca de 20 empresas comercializam plastificantes como cal hidratada.



"A ABPC vem fazendo um trabalho muito sério na apuração de companhias que utilizam o nome cal hidratada de maneira imprópria", afirma o diretor comercial da Belocal. De acordo com Gomes, os plastificantes não têm o poder aglutinador da cal hidratada, mas ainda assim continuam ganhando espaço nas construções. Hoje, esse produto responde por 31% da demanda da indústria. Seabra diz que a produção interna poderia crescer se o setor da construção fosse mais transparente na forma de comercializar o produto.