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O resultado da produção industrial de abril indica um 2º trimestre melhor do que os três primeiros meses de 2018, avaliam especialistas. Porém, o desempenho do semestre deve deixar a desejar.

“Abril foi um mês bem razoável, fugindo do padrão de baixo dinamismo do 1º trimestre. Porém, maio deve ser um mês perdido, em consequência da greve dos caminhoneiros, e o semestre vai depender muito de abril e junho. Provavelmente, a recuperação industrial da 1ª metade do ano vai decepcionar”, avalia o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.

A Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta semana, apontou crescimento de 0,8% na produção do País.

Nesta sexta-feira (08), foram apresentados os dados regionais do levantamento. Os destaques positivos foram Bahia (7%), Rio de Janeiro (6%) e Nordeste (6,5%). As principais quedas ocorreram no Pará (-8,1%) e Amazonas (-4,1%).

Dez dos 15 locais pesquisados tiveram crescimento. “A maior parte das regiões passou por esse movimento de melhora. Houve reação no Rio de Janeiro e no Nordeste. Outros estados, como o Rio Grande do Sul, continuaram crescendo. A exceção foi São Paulo”, aponta Cagnin. Para o economista, o fraco desempenho paulista puxou para baixo o resultado nacional. “Cresceu apenas 0,3%, é muito modesto e restringe o movimento de melhora como um todo, dado o peso que o estado tem no Brasil.”

Cagnin acredita que, mesmo que junho compense as perdas de maio, a recuperação efetiva do 1º semestre vai se limitar a dois meses, o que é preocupante diante das perspectivas de instabilidade na 2ª metade do ano. “A recuperação deveria ter sido mais vigorosa, diante dos possíveis desafios que serão enfrentados, caso esse contexto político e eleitoral venha acompanhado de instabilidade econômica. Se essa retomada tivesse se confirmado, o Brasil poderia passar por essa tempestade com um pouco mais de tranquilidade.”

O acumulado dos últimos 12 meses na indústria nacional (3,9%) foi o índice positivo mais alto desde maio de 2011 (4,5%) e manteve a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016 (-9,7%).

Regionalmente, 13 dos 15 locais pesquisados tiveram altas em abril de 2018 e 13 apontaram maior dinamismo frente aos índices de março.