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A partir do próximo mês, a fabricante de monitores Proview entra no mercado de televisores disposta a brigar pela liderança em aparelhos de luxo, disputando com gigantes como Sony , Samsung e Semp Toshiba .Segundo Jorge Cruz, diretor comercial da empresa, o primeiro modelo a ser colocado à venda será a TV de 29 polegadas, com tela plana. Cruz diz que a empresa já conseguiu do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) autorizações para a produção de todos os modelos de TV, desde aparelhos de tubo convencional até as telas de LCD (cristal líquido) e plasma. O diretor afirma que a estratégia é ganhar mercado com preços bem mais baixos que os dos concorrentes. E não pretende entrar no mercado de TVs de 14 e 20 polegadas de tubo convencional, hoje disputado por diversas marcas e representa o grosso das vendas no segmento.Cruz afirma que a empresa deve mudar para um local maior, para instalar a produção dos televisores, que segundo ele deverão ser lançandos gradativamente, de acordo com as encomendas, que segundo ele já começaram a ser feitas. A Proview detém cerca de 25% do mercado brasileiro de monitores, e tem como meta alcançar um volume de produção de 600 mil unidades em 2005.Os kits para montagem em CKD (montagem de produtos a partir de seus componentes) virão da Ásia. A empresa tem sede em Taiwan, mas segundo Cruz a produção é feita na China. A Proview atingiu em 2004 o quinto lugar ns vendas mundiais de monitores CRT (tubo convencional), com 4,3 milhões de unidades, e também o sétimo lugar em LCD, com vendas de 1,37 milhão de unidades. Em TVs, cuja linha de tela plana foi iniciada no ano passado, as vendas somaram 32 mil unidades.ImportaçãoEnquanto a Proview já entra no mercado com um modelo de televisor cujos preços giram em torno dos R$ 2 mil, os demais fabricantes acreditam que este ano as vendas ainda se concentrem nos modelos populares.Exceto pela Sony , que decidiu começar a produzir televisores de plasma em CKD, os demais fabricantes são cautelosos quanto ao desenvolvimento desse mercado, e ainda preferem importar o produto inteiro, na caixa.De acordo com Dênis Losano, gerente para televisores da Semp Toshiba , ainda não vale a pena apostar na produção local de TVs de LCD e plasma, pois o mercado ainda é muito restrito. Ele diz que seria possível a produção em CKD de televisores desse porte, mas que não crê no desenvolvimento desse mercado tão cedo. "No caso da produção local da tela de cristal líquido, se torna mais improvável, pois os investimentos numa fábrica como essa atingem a casa dos bilhões de dólares, e já há fábricas instaladas na Ásia com capacidade excedente", diz. Losano afirma que o custo do painel de LCD é caro já em sua origem e, por isso, importar sai mais em conta.Já a coreana Samsung crê que a proliferação do DVD e a difusão do sinal digital pode gerar alguma mudança no mercado de TVs. De acordo com Benjamin Sícsu, diretor de novos negócios da empresa, os televisores de tela plana já começam a ter uma demanda maior, e até mesmo seus preços começam a cair.Fícsu diz que o advento da transmissão digital, quando o padrão for definido pelo governo, não deverá gerar um aumento do mercado de TVs de LCD ou plasma. "Até no caso do mercado de monitores, essa migração ainda é tímida. De cerca de 3 milhões produzidos em 2004, apenas 160 mil eram de LCD, o resto eram tubos convencionais", diz.Segundo ele, a Samsung deve, já no meio do ano, iniciar a produção de tubos slim, de até 38 polegadas. Apesar de possuírem tubos convencionais, este têm profundidade menor, tornando mais leve o aparelho.Mercado crescenteSegundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), a produção de TVs em 2004 atingiu 7,3 milhões de unidades, 40,38% a mais que em 2003, quando foram produzidos 5,2 milhões de televisores.