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São Paulo - O mercado de moda infantil e bebê, de roupas até a idade de 12 anos, sofreu menos na crise e deve seguir em trajetória de crescimento. Para 2017, a projeção no segmento é de alta de 3,1% da produção e de 6,2% no faturamento na comparação com o ano passado.

Enquanto este segmento crescia, o destinado ao público com idade acima de 13 anos recuava. Segundo levantamento da IEMI - Inteligência de Mercado, no ano passado o faturamento do mercado de roupas para adultos recuou 2,6% sobre 2015. Em termos de volume, a retração alcançou 5,9% na mesma base, ao passo que o infantil recuou num ritmo menor, de 3,7%.

"Os adultos seguram um pouco mais a reposição das roupas em tempos de crise, o que não acontece com as crianças. Elas perdem as peças de um ano para outro, seja pelo maior desgaste ou por ficarem pequenas demais pela rápida fase de crescimento, principalmente dos bebês", explica o diretor do IEMI, Marcelo Prado.

Apostando neste nicho, a paranaense Comfy focou sua produção no nicho para bebês de macacões e bodys sem zíper, botão e velcros. "Realmente o mercado infantil se destaca frente aos demais. Como as fases dos bebês passam muito rapidamente, os pais não abrem mão de comprar novas roupas", destaca o diretor comercial da Comfy, Wagner Rover. Segundo ele, a operação da empresa começou no início deste ano, e a produção está em mil peças mensais, vendidas para cerca de 100 clientes atacadistas no Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

"Até o final deste ano, pretendemos ampliar o número de atacadistas para 200 e o total de peças produzidas, para 2 mil", conta Rover.

Dessa forma, afirma ele, a expectativa é de que empresa encerre o ano com um faturamento mensal na faixa dos R$ 90 mil. Para 2018, a meta é crescer 60% e, em 2019, mais 30%. "Nossos esforços no ano que vem serão direcionados ao consumidor final, seja pelo comércio eletrônico ou por meio de market place", acrescentou.

Mercado

A importância do mercado kids se observa pela representatividade para a indústria. O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, diz que do total de 6 bilhões de peças consumidas no mercado doméstico, cerca de 1,5 bilhão são infantis e bebê.

"É um mercado muito importante e que não sofre com a concorrência do importado", explica o dirigente.

Do total das roupas destinadas a este segmento, apenas 80 milhões são originárias do exterior, dentro do consumo aparente nacional. Ou seja, a fatia dos importados no consumo aparente é de 5,3%.

Para este ano, Pimentel projeta que a produção cresça 5%, com o consumo aparente avance 7%. Estes números incluem tanto as roupas do segmento infantil quanto adulto. "Em geral, o segmento kids acompanha a evolução do mercado", afirma.

Ele observa, porém, que durante o pior momento da crise econômica, a performance infantil foi menos prejudicada, pois os "filhos acabam sendo privilegiados e tendo preferência" nas compras de roupas.

De acordo com a Abit, a produção deste segmento representa cerca de 20% do volume da indústria nacional.

Nem mesmo com a crise, o consumo aparente medido pelo faturamento da indústria local deixou de crescer: de R$ 19,688 bilhões, em 2014, para R$ 20,872 bilhões, em 2015 e R$ 22,001 bilhões em 2016.

O crescimento das vendas ao público infantil avança mesmo diante da redução da taxa de natalidade da população brasileira. Com os pais tendo menos filhos, a tendência é de que os gastos per capta cresçam. "Aliado a isso, o mix de produtos aumentou nos últimos anos, puxado pelos ganhos de renda da população."

Adulto

Apesar de seguir em baixa, a tendência, segundo Prado, da IEMI, é de que o mercado adulto cresça num ritmo levemente superior ao infantil. "Como o mercado para crianças e bebês ficou mais estável nos últimos anos, ele não conta com uma demanda tão reprimida como a dos adultos, que deixaram de ir às compras nos últimos tempos", diz.